O encontro entre o cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), no último dia 8, causou incômodo entre integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A reunião contrariou uma recomendação da própria entidade e foi lida por parte do episcopado como um gesto de alinhamento político.
Entre bispos, a avaliação é de que a cena do arcebispo da capital federal ao lado do senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi além de uma cortesia protocolar. “Foi apoio político”, resume o diagnóstico de membros da Conferência que reagiram com estranheza ao episódio.
Recomendação contrariada
O mal-estar ganhou força porque o encontro contrariou uma orientação da própria CNBB. A Conferência é a instância que articula os bispos católicos no Brasil e costuma estabelecer diretrizes sobre a atuação pública de seus integrantes. Por isso, o descumprimento da orientação foi percebido internamente como um recado desafiador à coordenação da entidade.
A localização do episódio também pesa. Brasília concentra o poder político do país, e o arcebispo da capital costuma ter visibilidade ampliada em agendas que envolvem autoridades dos três Poderes. Não por acaso, a reunião com um senador da oposição teve repercussão entre os próprios integrantes da entidade.
Quem são os envolvidos
Paulo Cezar Costa comanda a arquidiocese da capital federal e foi elevado a cardeal pelo papa Francisco em 2022. Como arcebispo de Brasília, ocupa posição de destaque na hierarquia católica brasileira e participa regularmente de agendas institucionais na capital do país.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Integra o PL, a mesma legenda do pai, e figura entre as lideranças da oposição no Congresso Nacional.
Desconforto entre bispos
Os comentários negativos entre prelados refletem a preocupação com o sinal político transmitido pelo encontro. Para integrantes da CNBB, a imagem do cardeal ao lado do senador reforça a leitura de que setores da liderança da Igreja estariam dispostos a se aproximar de grupos específicos da política nacional, apesar das orientações contrárias da entidade.
O episódio reacende, ainda, o debate sobre os limites da presença pública da Igreja Católica na política partidária — discussão que atravessa a própria CNBB e que ganhou novo capítulo com a reunião do dia 8, interpretada por bispos como apoio político travestido de cortesia.
