Levantamento aponta leve vantagem do temor relacionado aos Bolsonaro
Uma pesquisa da Quaest revelou que o receio do retorno da família Bolsonaro ao poder superou numericamente, entre os entrevistados, a preocupação com uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo os dados do levantamento, 44% dos consultados afirmaram temer a volta da família Bolsonaro ao comando do Executivo federal. Já 42% declararam recear mais um mandato de Lula. A diferença entre os dois grupos é de dois pontos percentuais, o que indica um cenário de polarização praticamente equilibrada entre os eleitores.
Polarização segue marcando o cenário político
O resultado confirma o clima de divisão que tem caracterizado o debate político brasileiro desde as últimas eleições presidenciais. Os dois polos que dominaram os pleitos recentes continuam mobilizando sentimentos intensos na população, seja em defesa, seja em oposição.
O fato de o temor relacionado à família Bolsonaro aparecer à frente, ainda que por uma margem estreita, chama a atenção dos analistas do cenário político. Isso ocorre em um momento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta restrições de ordem jurídica e eleitoral que podem impactar sua capacidade de disputar cargos majoritários, enquanto o nome de outros integrantes do grupo familiar é cogitado como alternativa no campo da direita.
Contexto da corrida eleitoral
Com as próximas eleições presidenciais no horizonte, pesquisas de intenção e de percepção de risco eleitoral ganham peso crescente no planejamento das principais forças políticas do país. Nesse tipo de levantamento, o medo da vitória de um determinado nome funciona como um termômetro da rejeição que ele provoca em parcelas do eleitorado.
A Quaest é um dos institutos de pesquisa regularmente contratados pela imprensa brasileira para medir o humor público em temas políticos e eleitorais. O levantamento que aponta os percentuais de temor em relação aos dois polos da política nacional reforça que a disputa pelo Palácio do Planalto tende a ser novamente marcada pela concorrência entre os apoiadores e os críticos dos dois projetos de governo que se alternaram no poder nos últimos anos.
Os números divulgados, portanto, retratam um eleitorado dividido: enquanto uma parcela levemente maior enxerga como principal risco o retorno do grupo bolsonarista ao poder, outra parcela quase equivalente aponta como maior preocupação a continuidade do governo Lula por mais um mandato.
