A onda de direita que varreu o país no primeiro turno das eleições de 2026 encontrou no Senado seu capítulo mais expressivo. A Casa terá cerca de 50 senadores bolsonaristas raiz, número suficiente para eleger o presidente do Senado e aprovar emendas constitucionais.

O total também chega perto dos 54 votos exigidos para aprovar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — pauta que deve orientar a atuação de boa parte dos novos parlamentares.

PL com a maior bancada

O PL sairá como a maior força do Senado, com 28 senadores: 19 eleitos no primeiro turno e 9 que ainda têm quatro anos de mandato pela frente. A bancada é mais numerosa do que a de muitos partidos na Câmara dos Deputados, Casa consideravelmente maior.

Quem amargou a derrota foi o centrão. O PSD, de Gilberto Kassab, sofreu o maior tombo, ao cair de 14 para apenas 5 cadeiras. MDB, PP, Republicanos, Podemos e Avante, entre outras legendas, também perderam representação.

Foco no Supremo

Na prática, a nova configuração aponta para um Senado mais ideológico, interessado em pautas comportamentais e disposto a acertar contas com o STF. O alvo principal é Alexandre de Moraes, com Flávio Dino logo em seguida.

O bolsonarismo já possui estratégia montada para esse movimento. O primeiro passo é eleger o presidente do Senado no ano que vem — cabe a ele dar andamento ou barrar os pedidos de impeachment que já tramitam na Casa.

Dois nomes já são citados na disputa: Rogerio Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e a senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura. Não está descartado, ainda, um acordo com o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que quer ser reeleito no cargo.

Alcolumbre, do centrão raiz e visto como um mestre da sobrevivência política, precisaria, para tanto, se comprometer a não mais travar os pedidos de impeachment contra ministros.

Cenários em aberto

Se Flávio Bolsonaro confirmar o favoritismo e vencer a disputa pela Presidência, terá no Senado caminho livre para aprovar seus projetos, incluindo os da agenda econômica.

Já se Lula conseguir uma virada, a dúvida que permanece é como governar com um Senado repleto de bolsonaristas. A avaliação é de que mesmo um político experiente como o petista precisaria fazer milagre diante da nova configuração de forças.