A TV Globo promoveu, nesta terça-feira (29), um debate com os candidatos ao Governo de Minas Gerais. Com mediação da jornalista Liliana Junger, o encontro foi realizado na redação da emissora em Belo Horizonte e transmitido ao vivo, também pelo g1. A equipe de checagem Fato ou Fake verificou as principais declarações dos postulantes. Veja o resultado.
Quem participou
Em ordem alfabética, estiveram no debate Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD) e Patrus Ananias (PT).
Alexandre Kalil (PDT)
Ao afirmar que “deixei R$ 500 milhões em caixa [na Prefeitura de Belo Horizonte]”, o candidato falou a verdade: #FATO. O último Demonstrativo da Disponibilidade de Caixa e Restos a Pagar da gestão Kalil, referente a 31 de dezembro de 2021, apontava cerca de R$ 698 milhões em caixa líquido de recursos livres — o valor que sobra após o desconto de despesas já contratadas. Kalil deixou a prefeitura em 25 de março de 2022 para disputar o governo, e o vice Fuad Noman assumiu o cargo. No fim de 2022, o caixa líquido estava em R$ 722,8 milhões. Os números oficiais, antes e depois de sua saída, ficam acima dos R$ 500 milhões citados. A assessoria do candidato informou que ele fez “uma aproximação do número de R$ 689 milhões”, já tendo mencionado em outras entrevistas valor acima de R$ 600 milhões.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
Ao dizer que Minas Gerais “é o segundo estado que mais exporta no Brasil”, o candidato acertou: #FATO. Dados do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o estado ocupou a 2ª posição no ranking nacional de exportações em agosto de 2026, atrás apenas de São Paulo. O Rio de Janeiro ficou em terceiro.
Já a afirmação de que no Sul de Minas “as estradas são todas privatizadas, com valor de tarifa até de R$ 15” recebeu o selo #NÃOÉBEMASSIM. Leilões do governo estadual e federal repassaram trechos da região à iniciativa privada, como o lote operado pela EPR Sul de Minas, com cerca de 454 km em municípios como Pouso Alegre, Poços de Caldas e Itajubá, incluindo rodovias como a MG-290, a MG-173 e um trecho da BR-459. A concessão, porém, cobre apenas parte da malha: há vias sob administração direta do DER-MG, rodovias federais não concedidas sob responsabilidade do DNIT e estradas vicinais mantidas pelas prefeituras. O DER-MG informou que 1.528,2 km estão sob sua responsabilidade nas unidades regionais de Varginha, Poços de Caldas e Itajubá; somados os lotes Sul de Minas (454,3 km) e Varginha–Furnas (432,8 km), são 887,1 km de rodovias pavimentadas concedidas. A assessoria de Cleitinho reconheceu que a expressão não significa que 100% da malha rodoviária esteja privatizada. As tarifas variam conforme a concessionária, a praça e a categoria do veículo: a EPR Vias do Café, que administra 432,8 km em 22 municípios, cobra R$ 15,80 de carros, caminhonetes e furgões.
Flávio Roscoe (PL)
Ao citar que Extrema “hoje é a quinta maior arrecadação do estado”, o candidato acertou: #FATO. Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG), o município do Sul de Minas arrecadou R$ 2,3 bilhões de janeiro a agosto deste ano com ICMS e outras receitas, a quinta maior cifra entre os municípios mineiros, atrás de Belo Horizonte (R$ 14,7 bilhões), Betim (R$ 8,3 bilhões), Uberlândia (R$ 4,8 bilhões) e Contagem (R$ 3,7 bilhões).
Gabriel Azevedo (MDB)
Ao afirmar que Minas Gerais “é um dos quatro estados do Brasil em que o ensino integral caiu”, o candidato falou a verdade: #FATO. O 3º Relatório de Monitoramento do Programa Escola em Tempo Integral, do Ministério da Educação, aponta que apenas quatro estados tiveram redução nas matrículas em tempo integral das redes estaduais entre 2022 e 2025 — entre eles, Minas Gerais.
