A fama de articular alianças pelo lado vencedor não se confirmou para Gilberto Kassab, 66, presidente do PSD, nas eleições deste ano. Com o avanço da direita, o partido encolheu na Câmara e no Senado, perdeu governos relevantes e viu a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, com Kassab de vice, terminar em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos — atrás de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Em entrevista, Kassab resistiu a classificar o resultado como derrota. Segundo ele, a legenda obteve mais votos do que na eleição anterior e manteve tamanho próximo ao atual, enquanto outras siglas de centro recuaram diante do avanço do PL. “Eu fiquei quatro anos tentando lançar o [governador de São Paulo] Tarcísio [de Freitas, do Republicanos] como candidato”, disse. Para ele, a chapa com Caiado só foi lançada depois que o governador paulista desistiu de disputar a Presidência, “para mostrar que a gente não era bolsonarista”.
Bancadas menores e governos perdidos
No Senado, o PSD passará de 14 assentos para cinco a partir de 2027; na Câmara, a retração é menor, de 48 para 44 deputados federais. O partido, que governa seis estados e disputou 12 governos, venceu em quatro: Sergipe, com Fábio Mitidieri; Amapá, com Dr. Furlan, eleito sub judice; Maranhão, com Eduardo Braide; e Pernambuco, o mais relevante, com a reeleição de Raquel Lyra. Segue no segundo turno no Amazonas, com Omar Aziz, e no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, que ficou atrás de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno. Perdeu, ainda, três dos maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.
O partido avalia o desempenho comparando-o com 2022, e não com a bancada atual, formada em grande parte por parlamentares eleitos por outras siglas que depois migraram. Dos 14 senadores de hoje, apenas três foram eleitos pela legenda há quatro anos, assim como 46 deputados federais.
Kassab destaca que todos os partidos de centro foram atingidos pelo PL. Na comparação com 2022, o União Brasil caiu de 59 para 46 cadeiras; o PP, de 47 para 41; o Republicanos manteve 41; e o MDB recuou de 42 para 36. O Podemos, ao contrário, saltou de 12 para 27.
Segundo cálculos da própria sigla, o partido elegeu 103 deputados estaduais e distritais, com 10,3 milhões de votos válidos — atrás apenas do PL, com 212 deputados e 22,7 milhões de votos, e do PT, com 141 deputados e 15,5 milhões. “Não dá para dizer que o PSD é um dos grandes derrotados na eleição, sendo que ele cresceu na maior parte dos aspectos, e os outros perderam”, afirmou.
A construção da candidatura
O plano ganhou forma em 27 de janeiro, quando Kassab publicou foto no Instagram ao lado de Caiado, de Ratinho Jr. e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, os três elevados a pré-candidatos. Ratinho Jr. desistiu em março, após o PL anunciar apoio a Sergio Moro (PL) no Paraná, o que poderia comprometer a manutenção de seu grupo político no estado. Entre Caiado e Leite, Kassab optou pelo primeiro; Leite criticou a escolha, mas pediu desculpas em abril por não tê-lo parabenizado.
Nenhuma sigla de centro aderiu à empreitada: PP, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos preferiram manter independência no primeiro turno, diante de sinais de que a polarização seguiria forte.
“Eu disse para o Kassab: só tem sentido você lançar candidato se ele for ter voto. Se não for para ter voto, é melhor você não lançar”, afirmou o presidente Lula (PT), na quinta-feira (1º), em entrevista ao podcast Flow, após uma campanha em que as pesquisas já indicavam desempenho ruim de Caiado.
