Postura de Motta chama a atenção na Câmara
Uma postura recente do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tem chamado a atenção de parlamentares da base governista e também da oposição às vésperas do segundo turno da corrida presidencial. A decisão do comandante da Casa foi não se debruçar sobre medidas consideradas polêmicas antes da segunda etapa da disputa pelo comando do Palácio do Planalto.
Na avaliação de aliados, trata-se da forma encontrada pelo parlamentar para ampliar as chances de ser reconduzido à frente da Mesa Diretora da Casa. Ao frear deliberações delicadas nesse período, Motta evita colocar em andamento pautas que pudessem favorecer Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral. A cautela vale tanto para o campo petista quanto para o bolsonarista.
Cenário delicado para o presidente da Casa
O momento é particularmente sensível para Motta. Embora tenha se alinhado ao petista antes do primeiro turno, o presidente da Câmara viu seu partido, o Republicanos, anunciar, nos últimos dias, apoio ao filho de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto.
Diante desse quadro, Motta já começou a articular alianças em busca da reeleição na presidência da Câmara. Nessa movimentação, já garantiu o apoio do PSD. A estratégia deve incluir ainda a busca por outras legendas de centro, além de uma ofensiva junto a partidos de esquerda, com o intuito de costurar um bloco amplo em torno do seu nome.
O objetivo central do plano é isolar o PL, de modo que o presidente da Casa não precise depender da legenda de Flávio Bolsonaro na disputa pela Mesa Diretora. A movimentação busca, assim, garantir autonomia para a negociação da sua recondução.
Repetir o caminho de Lira
Mesmo com esse cenário desenhado, Motta teria preferido não colocar em votação nenhuma medida que pudesse beneficiar qualquer um dos candidatos ao Planalto. Com essa conduta, o presidente da Câmara talvez consiga reeditar o que Arthur Lira, seu antecessor no cargo, alcançou em 2023, quando foi reeleito com o apoio de partidos da esquerda e da direita, do PT ao PL. O episódio, portanto, serve de referência para a estratégia montada pelo atual comandante da Casa.
