O deputado federal André Janones (Rede-MG), figura central da estrutura digital conhecida como “Exército do Lula”, que apoia a reeleição do presidente Lula (PT), voltou ao foco de uma controvérsia envolvendo sua ex-companheira, a prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes.

Em relato público divulgado na última segunda-feira, 19, a prefeita voltou a descrever episódios de violência psicológica e política que afirma ter vivido durante e depois da relação com o parlamentar.

Relato da prefeita

“Não tive violência física, mas tive violência emocional, tortura psicológica e violência política”, declarou Leandra, ao mencionar as dificuldades enfrentadas e o sentimento de isolamento na busca por apoio.

Em dezembro de 2024, a prefeita conseguiu uma medida protetiva contra Janones, com fundamento na Lei Maria da Penha. A decisão impôs restrições de aproximação e contato, além de vedar a divulgação de imagens ou conteúdos ligados à intimidade dela.

De acordo com o relato apresentado à Justiça, o embate se agravou após divergências de ordem política e administrativa. Leandra acusou o deputado de praticar ameaças e de utilizar uma fotografia íntima para pressioná-la em decisões da gestão municipal. As denúncias foram tornadas públicas pela imprensa em abril de 2025.

Em julho do mesmo ano, a medida protetiva foi prorrogada por mais seis meses, conforme reportagem do Metrópoles publicada em agosto de 2025. O processo corre em segredo de Justiça, e não há confirmação pública atualizada sobre a validade das restrições em outubro de 2026.

Defesa do deputado

Janones negou a prática dos atos denunciados. Em abril de 2025, afirmou ter sido vítima de uma armação política e rejeitou as acusações.

“Eu não enviei nenhuma foto, eu não cometi nenhum ato”, disse o parlamentar em transmissão nas redes sociais, segundo apurou a Folha de S.Paulo.

As acusações não representam uma condenação definitiva, e a versão apresentada pelo deputado também deve ser levada em conta no acompanhamento do caso.

Protagonismo digital

Janones ganhou destaque na campanha eleitoral ao comandar o “Exército do Lula”, canal no WhatsApp que reúne milhões de seguidores e distribui conteúdo político para disseminação nas redes sociais. A estrutura atua como ferramenta de mobilização digital em favor do presidente na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A atuação do deputado também chamou a atenção da Justiça Eleitoral. Durante a campanha, o canal foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre elas uma suspensão temporária.

O encontro entre o alcance digital de Janones e a polêmica com Leandra Guedes mantém o parlamentar em evidência na reta final da corrida presidencial. Enquanto coordena a mobilização de apoiadores de Lula, ele segue vinculado a um processo judicial no qual a prefeita relata ter sofrido violência psicológica e política.

A situação atual da medida protetiva, contudo, não está confirmada publicamente. O caso permanece sob segredo de Justiça, e as acusações contra o deputado não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.