O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment que levou à cassação da então presidenta Dilma Rousseff, declarou apoio à reeleição de Lula no segundo turno da disputa presidencial. Na avaliação do jurista, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa um retrocesso para o país.

Reale Júnior não poupou críticas ao senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em avaliação dura, o jurista afirmou que Flávio é uma “cópia malfeita do pai”, sugerindo que o senador não teria a mesma capacidade política do ex-presidente, mas repetiria os mesmos padrões de conduta que marcaram o período em que esteve à frente do Planalto.

O posicionamento do jurista ganha peso por sua trajetória. Reale Júnior foi um dos juristas que, em 2015, assinou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, acusando a então petista de manobras fiscais consideradas irregulares. O pedido foi aceito pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, e a presidenta acabou afastada do cargo em 2016.

Agora, no segundo turno da eleição presidencial, o jurista decidiu apoiar a reeleição de Lula. Para Reale Júnior, a escolha entre os candidatos que disputam o posto é clara: a continuidade do atual governo representa um caminho mais seguro para o país do que a possível ascensão de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A declaração de que um eventual governo de Flávio representaria um retrocesso sintetiza a posição do jurista na disputa. Segundo ele, o país não deveria repetir o ciclo político encerrado com o fim do governo Bolsonaro, e a eleição do filho do ex-presidente significaria voltar a um modelo de condução do poder que, na sua avaliação, foi prejudicial às instituições.

O apoio de figuras históricas do centrão e de juristas que atuaram em momentos decisivos da política brasileira costuma influenciar o debate público em campanhas de segundo turno. A fala de Reale Júnior, portanto, tende a repercutir entre eleitores que acompanham o posicionamento de nomes respeitados no campo jurídico.

Ao classificar Flávio como “cópia malfeita do pai”, o jurista buscou desqualificar a candidatura do senador ao mesmo tempo em que reafirmou seu apoio à reeleição de Lula. A frase resume a tese defendida por setores que enxergam na disputa uma escolha entre a continuidade do atual projeto de governo e o retorno de um modelo político já testado e, segundo esses críticos, superado.

O segundo turno segue mobilizando declarações públicas de personalidades dos mais variados campos. O pronunciamento de Miguel Reale Júnior se soma a uma série de manifestações de juristas, ex-autoridades e líderes de setores diversos que vêm tomando posição na reta final da campanha presidencial.