Em reunião nesta terça-feira (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cobrou do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que sejam remetidas à corte todas as referências a ministros localizadas no inquérito do Banco Master.
A PF vai agora elaborar relatórios com as menções e encaminhá-los ao tribunal, sem prazo estabelecido. Segundo investigadores, o trabalho não deve ficar pronto em poucos dias, porque todo o material será revisto.
Andrei foi acompanhado do diretor-executivo da corporação, Willian Murad, e do diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali. O encontro foi requerido pela própria PF, na manhã de quinta-feira (1º), e prontamente atendido, segundo Fachin, que negou demora na marcação e citou “dificuldades mútuas de agenda”.
Em nota divulgada após o encontro, Fachin afirmou que eventual investigação contra um ministro depende de autorização do plenário da corte, com observância das normas constitucionais, legais e regimentais. Ele ressaltou que a polícia tem o dever de repassar todas as menções encontradas, sem exceção, com o respectivo contexto e em caráter estritamente descritivo.
INSS e fake news
A tramitação do caso do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) também entrou na pauta. Fachin disse aguardar manifestação da Procuradoria-Geral da República para dar andamento ao processo que apura possíveis irregularidades na condução das investigações do Master e do INSS pelo ministro André Mendonça — procedimento aberto após relatório do ministro Alexandre de Moraes questionar a forma como o colega tratava os dois casos.
O presidente do STF pediu ainda celeridade à PF na análise do inquérito das fake news, para poder avaliar a conclusão do caso. Em setembro, Fachin retirou Moraes da relatoria da investigação como uma das medidas para conter a crise no tribunal. Andrei respondeu que vai examinar as eventuais diligências pendentes.
Ofício e mensagens de Vorcaro
Em ofício de 2 de outubro, Fachin já havia informado que se reuniria com Andrei para tratar das menções a ministros achadas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o ministro, comunicados dessa natureza enviados ao Supremo, apresentados de forma integral e sem exceção de pessoa, terão “os encaminhamentos devidos”, já que há “inequívoco interesse institucional” em que todo fato relevante seja rigorosamente apurado.
Nos bastidores, falava-se que o objetivo do encontro seria a entrega de um relatório com as citações a ministros. Na véspera, porém, a sinalização era de que Andrei pretendia definir com Fachin o andamento da apuração. A PF queria saber o que fazer com os achados: investigar as relações dos magistrados com Vorcaro, produzir relatórios detalhando o conteúdo das mensagens ou ignorá-las.
Fachin defendeu que a apuração siga com estrita observância das normas constitucionais e processuais, preservando a autonomia dos órgãos de investigação e persecução penal e as competências do STF. “Reitero que o nosso propósito é assegurar que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, sem qualquer exceção de fato ou de pessoa”, afirmou.
Ministros citados
Diversos ministros já apareceram no contexto do caso Master, por meio de diferentes tipos de contatos e conexões. Uma das menções indica que o dono do banco mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo Alexandre de Moraes. As mensagens vieram à tona depois que André Mendonça pediu manifestação da PGR sobre um relatório enviado pela PF ao Supremo.
Mendonça, por sua vez, recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e por um deputado federal.
