PCO orienta voto nulo no 2º turno
O Partido da Causa Operária (PCO) decidiu orientar seus filiados a votar nulo no segundo turno da eleição presidencial, disputado entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Com a definição, a legenda chega ao confronto decisivo sem apoiar formalmente qualquer um dos dois candidatos que seguem na disputa.
A deliberação foi aprovada na 39ª Conferência Nacional da organização, realizada no domingo (11), e anunciada publicamente nesta segunda-feira (12).
Críticas ao PT e ao STF
Na avaliação do presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, nas eleições em que o partido apoiou o petista, a decisão havia sido tomada ainda no primeiro turno. O dirigente aproveitou a ocasião para criticar a relação do PT com o Supremo Tribunal Federal (STF).
“O PT fez uma aliança com aquilo que tem de pior no regime político brasileiro, que é o STF. O PT compactuou com o atentado do STF contra os direitos democráticos da população. Ele não é um candidato de oposição que representa a oposição das massas ao regime político”, afirmou.
Rui Costa Pimenta foi o próprio candidato do PCO à Presidência no primeiro turno. Ele recebeu 15.024 votos, o equivalente a 0,01% dos votos válidos, e terminou na última colocação entre os presidenciáveis.
Histórico de relação com Lula
O apoio do PCO a Lula não é uma constante. A legenda apoiou o petista nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998. Na primeira delas, o grupo que mais tarde daria origem à sigla ainda funcionava como uma corrente interna do PT.
Em 2002, contudo, a organização lançou candidatura própria e optou por não apoiar Lula no segundo turno. A mesma postura prevaleceu nas eleições de 2006, 2010 e 2014.
Em 2018, o PCO voltou a defender a candidatura de Lula, em um cenário marcado pelo impeachment de Dilma Rousseff, ocorrido em 2016. Com o impedimento judicial imposto ao petista, o partido recusou apoio a Fernando Haddad, escolhido pelo PT para substituí-lo na corrida eleitoral.
Em 2022, segundo a legenda, o PCO mais uma vez apoiou Lula, em oposição ao quadro político estabelecido após 2016.
A orientação pelo voto nulo marca mais um capítulo da trajetória de distanciamentos e reaproximações entre o PCO e o petista ao longo de mais de três décadas de disputas eleitorais.
