Oposição traça estratégia para postergar análise da PEC no Senado

A oposição no Senado estuda novas manobras para postergar a apreciação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1. Além de esvaziar as sessões do plenário para impedir a votação, o grupo avalia apresentar alterações ao texto — movimento que obrigaria a matéria a voltar para nova análise da Câmara dos Deputados.

A articulação ganhou força depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluiu o tema na pauta das sessões da Casa. Desde então, senadores oposicionistas trabalham para não dar quórum às sessões de discussão e, com isso, empurrar a deliberação.

Cálculo eleitoral pesa na estratégia

Nos bastidores, a preocupação é que a aprovação da proposta seja aproveitada em favor do presidente Lula na disputa eleitoral. Ao mesmo tempo, aliados do senador Flávio Bolsonaro defendem a PEC apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, que prevê o pagamento por hora trabalhada.

Os bolsonaristas, no entanto, reconhecem que votar contra a matéria pode representar um tiro no próprio pé e desgastar a campanha de Flávio na reta final, junto ao eleitorado. Por isso, cobram que o presidente da Casa cumpra o rito regimental, sem acelerar o trâmite — cenário que levaria a análise da proposta para depois do segundo turno das eleições.

Governo corre contra o relógio

Enquanto a oposição atua para ganhar tempo, o governo tenta reunir assinaturas para um requerimento que encurtaria a tramitação da matéria.

Entre os oposicionistas, a defesa, nos bastidores, é de que os senadores proponham mudanças significativas no texto, forçando o retorno da PEC à Câmara dos Deputados. Assim, evitariam o desgaste junto ao eleitor e a proposta só seria apreciada novamente após o segundo turno.

Mobilização nas ruas

O debate sobre o fim da escala 6×1 também mobilizou as ruas. Na segunda-feira (25), uma manifestação reunida na avenida Paulista, em frente ao Masp, defendeu o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

A tramitação da PEC segue, portanto, marcada pelo embate entre o governo, que pressiona pela aceleração da votação, e a oposição, empenhada em adiar a deliberação para depois das eleições.