A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) quer expandir sua atuação para outros estados e não descarta uma parceria com a Sabesp. A declaração é do CEO da estatal, Wilson Bley, feita nesta quarta-feira (21), em São Paulo.

Segundo o executivo, a meta é se tornar uma operadora de alcance nacional, mas a expansão dependerá das oportunidades que surgirem no setor.

“A nossa participação pode ser menor, mas a gente quer entrar e se posicionar no mercado, trazendo novas receitas e levando uma expertise que foi construída. O que não posso fazer é investimento em outros lugares em detrimento do Paraná. Por isso, [a ideia é ter] sempre consórcios”, declarou.

Possível acordo com a Sabesp

Sobre uma eventual associação com a empresa paulista, Bley deixou a porta aberta. “Por que nós não fazemos uma parceria com a Sabesp? Nós temos também essa possibilidade. O mercado teve um boom e agora entrou numa fase um pouco mais calma”, completou.

O plano de expansão tem por trás um memorando de entendimento assinado no ano passado com a espanhola Acciona para participação em concorrências públicas. A medida integra um pacote de iniciativas para elevar a receita, reduzir perdas e ampliar a base de consumidores.

Água de reuso, carbono e fibra óptica

Ainda em São Paulo, Bley assinou parceria com o grupo espanhol GSInima, escolhido por chamamento público para atuar em água de reuso e saneamento industrial. O acordo, firmado durante a Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente), prevê vender às indústrias água produzida a partir de esgoto tratado, no lugar de água potável.

A estatal também pretende antecipar para 2029 a universalização do saneamento, quatro anos antes do prazo fixado pelo marco legal do setor. O foco é o esgoto, com cobertura atual de 84% e meta de 90% em 2029. O plano de investimentos deste ano até 2030 é de R$ 13 bilhões.

“Para cada 1% extra no tratamento do esgoto, é R$ 1 bilhão a mais”, disse o CEO.

A companhia estuda ainda ganhos no mercado de carbono, com o aproveitamento das emissões de óxido nitroso do esgoto, que respondem por 93% das emissões da empresa, conforme o inventário de 2024. Outra frente é usar os 110 mil quilômetros de rede subterrânea para exploração de fibra óptica.

Resultados e debate sobre privatização

No segundo trimestre de 2026, a receita líquida somou R$ 1,9 bilhão, alta de 11,5% sobre o mesmo período de 2025, e R$ 3,85 bilhões no semestre. A companhia registrou, porém, prejuízo de R$ 505,2 milhões no trimestre, devido a provisões de cerca de R$ 953 milhões ligadas a uma decisão regulatória sobre o repasse de precatórios aos consumidores. Sem esse efeito, o lucro teria sido de R$ 447 milhões, segundo a empresa.

Bley informou que 75% dos recursos de novos negócios serão destinados à redução tarifária e 25% ficarão com a companhia.

O aumento de receitas e a queda de custos podem abrir caminho para uma eventual privatização, a depender da vontade do governador eleito, Sergio Moro (PL). O governo estadual já defendeu a medida no passado, mas o CEO não vê necessidade.

“Nós trabalhamos de forma mercadológica e não ideológica. Se for necessária a privatização para alcançar esses resultados, quem sabe seja esse o caminho. Mas esse não é o nosso caminho”, afirmou.

Controlada pelo governo do Paraná, que detém 20% das ações, a Sanepar é uma sociedade de economia mista. Segundo Bley, nenhum outro acionista tem mais de 3%. A empresa atende 344 municípios paranaenses e um em Santa Catarina.