Eleitos com mais de 3 milhões de votos cada, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) também “puxaram” colegas de partido para a Câmara dos Deputados. A votação do mineiro assegurou 13 cadeiras adicionais ao PL em Minas Gerais, enquanto o paulistano garantiu sete assentos a outros nomes da sigla em São Paulo.
Reeleita com mais de 1,5 milhão de votos, Erika Hilton (PSOL-SP) abriu caminho para três vagas extras da federação PSOL-Rede. Sônia Guajajara, que somou 54,2 mil votos, foi a beneficiada e não teria se elegido por outra legenda. Raul Marcelo e Juliano Medeiros ficaram de fora por não alcançarem a cláusula de desempenho individual.
André Fernandes (PL-CE), Júlia Zanatta (PL-SC), Ana Elisa (PT-MG) e Jeffrey Chiquini (Novo-PR) garantiram, cada um, uma cadeira além da própria para suas legendas.
Como funciona o “puxador de voto”
O fenômeno decorre do sistema proporcional brasileiro, adotado na escolha de deputados federais, deputados estaduais e vereadores. Nem sempre os candidatos mais votados são os eleitos: a distribuição das vagas depende do quociente eleitoral, cálculo que define quantos votos cada partido precisa somar para conquistar um assento no estado.
Em Minas Gerais, o quociente foi de 214 mil votos. Com mais de 3 milhões, Nikolas superou a marca repetidas vezes: além do próprio mandato, abriu espaço para 13 colegas com votações entre 61 mil e 25 mil votos — nenhum deles teria se elegido por outra sigla.
Entre os beneficiados estão Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Thiago Milhim, que disputou a eleição com o nome de urna “Thiago Ganem”. Ex-dirigente do Podemos, migrou para o PL e transferiu o domicílio eleitoral de São Paulo para Minas Gerais — mudança articulada, segundo o site O Fator, entre dirigentes das duas legendas para facilitar sua eleição.
Em São Paulo, onde o quociente eleitoral foi de 338 mil votos, Pavanato superou o limite sete vezes. Entre os favorecidos estão os deputados Miguel Lombardi, Jefferson Campos, Mário Frias e Paulo Bilynskyj, que buscavam a reeleição e não a teriam conquistado disputando por outra legenda.
A cláusula de desempenho individual exige votação mínima de 10% do quociente eleitoral. Só quem atinge a marca pode ser “puxado” pelos votos dos colegas — por isso Raul e Juliano ficaram fora.
Beneficiados estado a estado
No Ceará, André Fernandes, mais votado na disputa federal do estado, somou 684,3 mil votos e garantiu a vaga do deputado estadual e ex-vereador de Fortaleza Carmelo Neto. Ana Elisa, com mais de meio milhão de votos, foi a petista mais bem votada do país para a Câmara e assegurou a reeleição de Dandara, em Minas Gerais.
Dandara é tratada como aposta do PT para crescer nas redes sociais e reforçar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca virada inédita no segundo turno presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Publicações antigas dela no X, porém, viraram “dor de cabeça” para a candidatura.
Em Santa Catarina, Júlia Zanatta foi a mais votada, com 560,2 mil votos — o dobro do quociente estadual. Além da própria cadeira, garantiu a vaga de Zé Trovão, que somou 89,8 mil tentando a reeleição.
No Paraná, o deputado federal mais votado foi o advogado Jeffrey Chiquini, do Novo, com 425,3 mil votos. Notabilizado por defender Filipe Martins na ação penal sobre tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), ele “puxou” o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins.
