A Polícia Federal (PF) aponta que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) teve participação direta nas articulações que buscavam viabilizar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo a leitura da corporação, o envolvimento do ex-mandatário não teria sido marginal nem meramente informativo: a avaliação é a de que ele atuou de forma ativa nos esforços para levar a operação adiante.

O ponto sensível do apontamento está justamente no qualificativo “direta”. Ao caracterizar a participação dessa maneira, a PF afasta a hipótese de que o ex-governador teria apenas tomado conhecimento do movimento ou acompanhado o assunto à distância. Para a corporação, Ibaneis Rocha integrava o esforço de articulação — ou seja, o conjunto de contatos, entendimentos e mobilizações necessários para tentar conduzir a negociação.

Outro elemento relevante é o uso da palavra “tentativa”. A formulação indica que a compra não chegou a se concretizar: o que a PF descreve, portanto, é um conjunto de articulações voltadas a uma operação que não foi concluída. A distinção importa, porque desloca o foco da apuração do resultado final da negociação para o comportamento dos envolvidos ao longo do processo.

O peso da constatação

O BRB é a instituição financeira vinculada ao governo do Distrito Federal. Uma eventual aquisição de outro banco pelo BRB configuraria, portanto, uma decisão de grande envergadura para a gestão da capital federal — o tipo de operação que, em regra, passa pelo crivo do alto escalão do Executivo local.

É nesse contexto que a constatação da PF ganha relevância. Ao situar o ex-governador como participante direto das articulações, a corporação indica que o assunto teria alcançado o topo do Poder Executivo distrital à época, e não apenas áreas técnicas ou diretores da instituição bancária.

Próximos passos

Convém destacar que o apontamento da PF corresponde, neste momento, a uma conclusão investigativa — e não a uma condenação judicial. Como qualquer investigado, Ibaneis Rocha tem assegurado o direito de apresentar sua defesa, e as constatações da corporação ainda podem ser submetidas à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Do ponto de vista político, o apontamento tende a intensificar o escrutínio sobre o ex-governador e sobre os bastidores da negociação entre o BRB e o Banco Master. O desdobramento do caso deverá mostrar se as articulações descritas pela PF se confirmam em documentos e depoimentos — e quais consequências jurídicas e institucionais elas poderão gerar.

O episódio também coloca o Banco de Brasília no centro do debate, por envolver uma instituição pública em uma negociação de porte no setor financeiro. À medida que a apuração avançar, o alcance exato da participação atribuída a Ibaneis Rocha — e as responsabilidades dela decorrentes — deverá ficar mais claro.