Clima de alerta na reta final

Integrantes do círculo político de Flávio Bolsonaro (PL) trabalham para impedir que a reta final da campanha presidencial seja marcada por um novo ‘momento Carla Zambelli’. A expressão usada nos bastidores remete à cena em que a então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

O episódio foi explorado pela campanha de Lula e passou a ser apontado como um dos fatores da derrota de Bolsonaro por margem apertada naquele ano. Zambelli, hoje asilada na Itália, tornou-se referência para um tipo de deslize que a articulação de Flávio busca evitar a qualquer custo.

Ato em frente à PUC-SP é cancelado

Nesta quarta-feira (21), um evento de apoiadores do candidato, marcado para ocorrer em frente à sede da PUC-SP, no bairro das Perdizes, na zona oeste da capital paulista, foi cancelado. A universidade é vista como reduto de estudantes de esquerda, o que alimentou o receio de que a manifestação degenerasse em confronto físico, com prejuízo para a candidatura.

Para o grupo, um eventual embate já seria ruim, mas o pior cenário seria a circulação de imagens de policiais militares agredindo universitários — situação capaz de dominar o debate público justamente na fase mais sensível da disputa.

O alerta foi levado à campanha de Flávio, e a mobilização acabou desmobilizada. Em substituição, um evento semelhante, reunindo estudantes e políticos de direita, foi marcado para a frente do Insper, ambiente considerado mais propício a uma manifestação pró-Flávio.

Contenção de danos

A experiência de 2022 funciona como referência negativa: a perseguição armada conduzida por Zambelli virou tema da propaganda adversária e ocupou espaço na cobertura da reta final. Por isso, a escolha de locais com menor risco de atrito passou a ser tratada como parte da estratégia da campanha.

A troca de endereço do ato desta quarta-feira ilustra esse esforço de conciliar a agenda de mobilização com a necessidade de preservar a imagem do presidenciável. O episódio evidencia o cuidado redobrado do entorno do candidato com o cenário dos eventos políticos na fase final da eleição.