Drones ucranianos atacaram nesta quarta-feira, 14, o maior data center da Rússia, administrado pelo banco estatal Sberbank. A ação acontece no momento em que Moscou tenta encurtar a distância tecnológica que a separa dos Estados Unidos e da China na corrida pela inteligência artificial (IA). Na semana passada, três outras investidas atingiram estruturas da Yandex, uma das maiores empresas de tecnologia do país.
O primeiro vice-presidente executivo do Sberbank, Alexander Vedyakhin, reconheceu o ataque à unidade de Balakovo, mas garantiu que os serviços do banco seguem operando normalmente. De acordo com a agência estatal RIA Novosti, o complexo está projetado para receber o maior supercomputador do país, com início de operação previsto para 2027.
Neste mesmo dia, o presidente Vladimir Putin reuniu-se, em encontro sem aviso prévio, com autoridades responsáveis por segurança da informação. Entre os presentes estava German Gref, presidente-executivo do Sberbank. O Kremlin, contudo, descartou qualquer relação entre a reunião e os ataques.
Supercomputadores são fundamentais para o treinamento de modelos de inteligência artificial, e avarias nas instalações podem atrasar o progresso do setor na Rússia. Nem o Sberbank nem a Yandex, porém, revelaram se os equipamentos sofreram danos.
Disputa pela IA
O Sberbank e a Yandex lideram o desenvolvimento de inteligência artificial na Rússia. No mercado interno, as duas companhias rivalizam com os modelos GigaChat e YandexGPT. Mesmo com os aportes feitos, cálculos do próprio Sberbank apontam que as empresas estão até nove meses atrás das líderes dos Estados Unidos e da China.
Parte do atraso decorre das sanções ocidentais, que restringem o acesso russo a componentes de ponta. Em setembro, Gref citou a falta de unidades modernas de processamento gráfico — as GPUs — como um dos maiores entraves ao avanço da tecnologia no país.
Para driblar as restrições, o Sberbank negocia a aquisição de chips produzidos na China, mas ainda carrega um obstáculo adicional: a dependência de tecnologias da Nvidia, empresa americana. A plataforma CUDA, empregada para programar e operar chips em tarefas de IA, consolidou-se como padrão da indústria.
Segundo o especialista em tecnologia da informação Mikhail Klimarev, as sanções também encarecem e dificultam a troca de equipamentos avariados. Os componentes chegam à Rússia por rotas indiretas, porém com custo mais alto e por meio de intermediários dispostos a assumir riscos para burlar as barreiras comerciais.
A Ucrânia sustenta que suas investidas são resposta aos ataques russos contra infraestruturas ucranianas. Desde o começo do conflito, os dois lados têm como alvo instalações de energia, refinarias, portos e empresas de comércio eletrônico do oponente.
Reforço na segurança
Diante do cenário, o Ministério do Desenvolvimento Digital da Rússia anunciou nesta semana que negocia com os militares ações para ampliar a proteção dos data centers. Parlamentares também propuseram a realocação dos equipamentos para instalações subterrâneas.
A ideia recebeu o aval de Valery Yermakov, vice-presidente da estatal Rostelecom, outra grande operadora russa de centros de dados. Durante uma conferência em Moscou, ele defendeu a construção de uma espécie de ‘cofre de dados para o apocalipse’, destinado a resguardar equipamentos essenciais em caso de ataques.
