Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, esposa do candidato Flávio Bolsonaro (PL), pode se tornar a próxima primeira-dama do Brasil caso o senador vença o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo da disputa, ela ocupou posição de destaque na campanha, com a tarefa de suavizar a imagem do marido junto ao eleitorado feminino.

Afastamento de Michelle ampliou espaço da esposa

A atuação de Fernanda se intensificou porque Flávio, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não pôde contar com a participação ativa de sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Em junho, após uma briga pública na qual Michelle acusou Flávio de maltratá-la por desavenças políticas, Fernanda assumiu papel mais central: passou a estrelar vídeos da campanha ao lado do marido e ampliou sua presença nas redes sociais.

Perfil discreto

Cirurgiã-dentista de 45 anos, filha de médicos e casada com Flávio desde 2010, Fernanda mantinha postura reservada. A primeira publicação em seu perfil no Instagram foi uma mensagem de Natal, em dezembro de 2025, dirigida a seguidores e apoiadores do marido, logo depois da oficialização da pré-candidatura à Presidência. O casal tem duas filhas, Luiza e Carolina. Os dois se conheceram no Rio de Janeiro, onde viveram até 2019, quando se mudaram para Brasília após Flávio assumir mandato de senador. Dois anos depois, compraram uma mansão de R$ 5,97 milhões na capital federal — metade do valor paga à vista e o restante financiado pelo Banco de Brasília (BRB), quitado em três anos. No Lago Sul, Fernanda montou consultório em uma clínica, onde segue atendendo pacientes. Segundo sua assessoria, a carreira inclui passagem pela Aeronáutica: ingressou na Força em 2009 como cirurgiã-dentista e atuou como tenente durante oito anos.

Estreia na posse do presidente do Chile

A estreia de Fernanda na pré-campanha ocorreu em março, na cerimônia de posse do presidente chileno José Antonio Kast. A viagem foi divulgada pela MiThi, agência do publicitário Thiago Miranda — apontado como elo entre o presidenciável e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso e financiou o filme “Dark Horse”, sobre a história de Jair Bolsonaro. Na ocasião, a agência encaminhou a veículos de imprensa sugestão de pauta intitulada “Fernanda Bolsonaro leva renda nordestina ao Chile em evento diplomático”. Procurado, Miranda negou vínculo formal com a campanha: “Não tenho nenhum tipo de contrato com ele [Flávio], nem com a Fernanda”, declarou, afirmando apenas proximidade pessoal com o casal.

Narrativa da “reeducação”

Mesmo antes do conflito público com Michelle, Flávio e o PL já apostavam em Fernanda na narrativa eleitoral. Em vídeo publicado em abril, o candidato relatou que conheceu a esposa em uma excursão de ônibus a Arraial d’Ajuda, na Bahia, e que foi “paixão à primeira vista” — Fernanda teria dito “eu te amo” apenas três dias depois. Durante a crise com a madrasta, ela saiu em defesa do marido e escreveu que, como esposa, escolhia olhar para “um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado”. Na convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura, Fernanda foi convidada pelo marido a discursar, apresentou-se como mulher, mãe, cirurgiã-dentista e brasileira e afirmou querer “mudança para esse Brasil”. Em agosto, em outro vídeo de campanha, afirmou ter ajudado a “reeducar” o marido e o descreveu como um “Bolsonaro moderado” — discurso alinhado à estratégia de aproximação com as eleitoras mulheres e os indecisos.