O presidente da Argentina, Javier Milei, parabenizou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e criticou as pesquisas de intenção de voto para a Presidência do Brasil. Ao compartilhar um vídeo publicado pelo governador, o líder argentino o chamou de “fenômeno” e, na mesma publicação, questionou a confiabilidade dos levantamentos eleitorais realizados no país.

O gesto chama atenção porque vem de um chefe de Estado estrangeiro e se refere a um político brasileiro cujo nome circula com força no debate da sucessão presidencial de 2026. Tarcísio comanda o governo do estado mais rico da federação e é apontado com frequência como uma das principais lideranças da direita brasileira, o que dá peso extra ao reconhecimento vindo de Buenos Aires.

Aproximação entre os dois líderes

A publicação reforça a sintonia pública entre Milei e o governador paulista. Eleito presidente da Argentina em 2023, o líder libertário construiu sua imagem em torno de uma agenda de enxugamento do Estado, controle de gastos e abertura econômica — pautas que dialogam com a gestão de Tarcísio em São Paulo, marcada por concessões e parcerias com o setor privado.

Ex-ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, Tarcísio foi eleito governador paulista em 2022 e, desde então, ganhou projeção nacional. Sua gestão passou a ser citada como modelo por setores favoráveis às pautas liberais em economia, grupo do qual Milei se tornou uma das referências mais visíveis na América do Sul.

Desconfiança com os institutos de pesquisa

A crítica a levantamentos eleitorais não é um tema novo para o presidente argentino. Em sua própria campanha, Milei superou as projeções de parte dos institutos do seu país, que o colocavam em posições inferiores às que ele acabou alcançando nas urnas. A experiência ajudou a consolidar o ceticismo do líder em relação a esse tipo de levantamento — ceticismo que ele voltou a demonstrar ao comentar o cenário eleitoral brasileiro.

No Brasil, a precisão das pesquisas de intenção de voto é objeto de questionamentos há anos, sobretudo depois de ciclos eleitorais em que os resultados das urnas divergiram das projeções divulgadas na véspera. As declarações de Milei se somam a esse debate e ganham repercussão por virem de uma autoridade estrangeira com forte identificação entre eleitores e lideranças da direita brasileira.

O episódio ocorre em um momento de movimentação política, com partidos e prováveis pré-candidatos começando a se posicionar para a disputa de 2026. Para Tarcísio, o elogio público de um presidente estrangeiro funciona como vitrine no tabuleiro nacional; para Milei, a manifestação reforça laços com uma liderança brasileira com a qual mantém clara identificação.