O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, ex-professor da Universidade de São Paulo (USP), criticou a apatia e a falta de mobilização dos professores da maior instituição de ensino superior do país. Na avaliação do pesquisador, a postura passiva de parte do corpo docente contrasta com o cenário de hostilidade descrito por ele próprio.

“Para a extrema direita, professores e estudantes são os inimigos a retaliar”, afirmou Pinheiro. A frase resume o alerta do cientista político: enquanto a extrema direita trata a universidade como adversária, a reação interna segue, no entendimento dele, marcada pela passividade e pela ausência de articulação.

Crítica à apatia dos docentes

A avaliação de Pinheiro recai sobre o comportamento dos professores da USP. Ex-docente da instituição, o cientista político considera que a falta de mobilização compromete a capacidade de resposta da comunidade acadêmica justamente quando professores e estudantes são apontados, pela extrema direita, como inimigos a retaliar.

No quadro descrito pelo pesquisador, a inércia não oferece proteção à universidade. A crítica reúne dois pontos centrais de sua fala: a reprovação interna à passividade dos docentes e o alerta sobre as intenções de grupos que encaram o ambiente universitário como oposição a ser enfrentada.

Universidade no centro do embate

Ao caracterizar professores e estudantes como alvos de retaliação, Pinheiro situa a USP no centro de um debate mais amplo sobre o clima de confronto entre setores políticos e a academia. A crítica, feita por quem atuou como professor na instituição, é dirigida aos próprios docentes, a quem atribui a responsabilidade por uma reação que, segundo ele, não tem se materializado.

Para o cientista político, portanto, o problema é duplo: de fora, a hostilidade da extrema direita, que enxerga educadores e alunos como inimigos; de dentro, a apatia, que na leitura dele deixa a comunidade universitária menos preparada para enfrentar esse tipo de ameaça.

O alerta de Pinheiro se insere nas discussões sobre o papel das universidades públicas e sobre a resposta da comunidade acadêmica às pressões políticas. Em sua fala, carrega de forma implícita a defesa de um engajamento maior dos docentes na proteção da instituição e de seus integrantes.