Queda da moeda única

O euro atingiu nesta segunda-feira (5.out.2026) a menor cotação dos últimos 17 meses em relação ao dólar. Nas negociações asiáticas, a moeda única recuou a US$ 1,1161, patamar não visto desde maio de 2025. Por volta das 22h50 de domingo (horário de Brasília), era negociada a US$ 1,1118, com desvalorização de 0,62%.

A desvalorização está associada à preocupação dos investidores com o risco de repetição da crise da dívida soberana na zona do euro. O movimento ganhou força com a venda de títulos públicos franceses na semana passada, o que ampliou as dúvidas sobre a capacidade da França de conter seu déficit fiscal.

Pressão fiscal sobre a França

O spread entre os títulos do governo francês e os Bunds alemães — ativos tomados como referência de segurança e principal termômetro de risco soberano na região — chegou a 150 pontos-base na sexta-feira (2.out), o nível mais elevado desde a crise da dívida soberana europeia de 2011.

Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que as dificuldades fiscais da França são agravadas pelo calendário político. A eleição presidencial de 2027 e um parlamento fragmentado, no qual os acordos têm sido difíceis de construir, tornam ainda mais complexa a adoção de medidas de ajuste.

Os cortes no orçamento já aprofundaram uma crise de financiamento na educação, que provocou protestos em diversas cidades do país.

Dólar em alta

Do lado norte-americano, o dólar seguiu em trajetória de valorização. O índice que mede o desempenho da moeda dos Estados Unidos frente a uma cesta de 6 divisas principais subiu 0,39%, a 102,33, depois de chegar a 102,53 — o patamar mais alto desde 10 de abril de 2025, poucos dias após o presidente Donald Trump (Partido Republicano) anunciar tarifas no chamado ‘Dia da Libertação’.

O anúncio do pacote tarifário desencadeou uma venda generalizada de ativos americanos. Antes do anúncio, o índice do dólar girava em torno de 104.

O apelo do euro como principal alternativa ao dólar, aliás, vinha se enfraquecendo desde a elevação dos juros do Federal Reserve, em setembro.

Assim, a moeda europeia enfrenta pressão dos dois lados: o temor fiscal na zona do euro, com destaque para a França, e a valorização da moeda norte-americana, impulsionada pelas tarifas do governo Trump e pela política monetária mais rígida do banco central dos Estados Unidos.