O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o último programa eleitoral de televisão de sua campanha à reeleição, exibido nesta sexta-feira (23.out.2026), para vincular o senador Flávio Bolsonaro (PL) a milícias e a episódios de corrupção. A propaganda também atacou as propostas econômicas do rival, com destaque para cortes no Orçamento, privatizações e mudanças nas relações de trabalho.
Segundo a peça, Flávio homenageou em duas ocasiões um chefe de grupo de matadores de aluguel — em referência a Adriano da Nóbrega — e destinou R$ 200 mil em recursos públicos a um miliciano condenado pela morte da vereadora Marielle Franco (Psol), do Rio de Janeiro. O programa ainda relacionou o senador a possíveis ligações envolvendo o Banco Master, lavagem de dinheiro e a venda de uma ilha em Angra dos Reis (RJ).
“O Brasil não vai ficar melhor cortando os seus direitos e conquistas, nem desrespeitando as mulheres e muito menos colocando miliciano para cuidar da segurança”, declarou Lula no programa, que teve 5min11s de duração.
Críticas ao plano econômico
No campo econômico, a propaganda petista criticou a proposta de Flávio de cortar R$ 250 bilhões do Orçamento e afirmou que a medida poderia atingir salários, aposentadorias e programas sociais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.
No plano de governo, o senador menciona um “tesouraço” na máquina pública e uma nova regra fiscal, mas o documento não apresenta mais detalhes. Circula a informação de que a equipe econômica prepara uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) durante a transição de um eventual novo governo para cortar até R$ 250 bilhões do Orçamento — sem explicação, porém, sobre onde esses cortes seriam feitos.
A equipe econômica do candidato tem como foco medidas para reduzir despesas públicas e estabilizar a dívida do país. Em 8 de outubro, Flávio declarou que manteria os reajustes das aposentadorias acima da inflação e negou que pretendesse desvincular os benefícios do salário mínimo.
Resposta da campanha
Daniella Marques, chefe da campanha de Flávio, nega cortes em benefícios sociais. O que a coordenadora do candidato do PL já afirmou publicamente é que terá como prioridade reorganizar as contas públicas, rever o funcionamento do Estado e reduzir entraves para as empresas.