O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), protocolará uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. O pedido sustenta que o parlamentar usou o cargo para solicitar R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e obteve vantagens decorrentes dessa relação.

Na representação, Randolfe pede a perda do mandato de Flávio por quebra de decoro parlamentar e busca colher assinaturas de outros senadores para fortalecer a iniciativa.

Denúncia cita jatinho e hospedagens

O documento menciona ainda outros benefícios supostamente recebidos pelo senador, como o uso de jatinho pertencente ao ex-banqueiro e hospedagem em imóveis ligados a pessoas próximas a ele, sem contraprestação.

Randolfe também destaca o pedido feito por Flávio a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador.

Para o líder do governo, a gravidade dos fatos se justifica porque as situações ocorreram durante o mandato e são objeto de investigação formal da Polícia Federal.

“Os benefícios são vantagens de valor econômico evidente, percebidas diretamente pelo denunciado, e provêm de estruturas vinculadas ao mesmo grupo. Ainda que o intermediário formal seja amigo pessoal, cabe a este Conselho apurar a origem real dessas liberalidades”, afirma o trecho do requerimento.

Impasse no Conselho de Ética

Uma dificuldade para o andamento do caso é que o Conselho de Ética do Senado sequer foi instalado na atual legislatura. Há um mandado de segurança pendente de análise na ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, que pede a retomada das reuniões do colegiado.

No requerimento, Randolfe argumenta que a tese de patrocínio privado não se sustenta. Segundo ele, Flávio já conhecia a situação delicada do Banco Master quando cobrou o repasse dos valores a Vorcaro, movimentação que teria ocorrido entre o final de 2024 e o final de 2025, período próximo à prisão do banqueiro.

A representação agora depende da instalação do conselho para ser analisada. O senador Flávio Bolsonaro ainda não foi citado na reportagem original sobre eventual defesa apresentada.