A troca de farpas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi o aspecto mais retratado pela imprensa mundial nas coberturas sobre as eleições presidenciais brasileiras. A conclusão é de um levantamento da FIA Business School, divulgado com exclusividade pela revista VEJA.
Ataques pessoais lideram as manchetes
Segundo a pesquisa, entre as matérias publicadas após o debate promovido pela Band no domingo, 18, mais da metade (52%) dos títulos destacaram os ataques pessoais trocados entre Lula e Flávio, as acusações de corrupção feitas pelos dois lados ou a quase total ausência de propostas no embate.
O levantamento analisou 25 reportagens veiculadas em 24 países, entre eles Estados Unidos e nações da Europa, América Latina, Ásia e África, todas publicadas entre 18 e 20 de outubro. Do total, 15 matérias saíram em veículos latino-americanos, e boa parte da amostra foi produzida com base em conteúdo das agências AFP, EFE, Reuters, Lusa, AP e France 24.
Cobertura majoritariamente neutra
No que diz respeito ao enfoje editorial, o relatório aponta que o debate foi retratado, em sua maioria, de maneira neutra, sem inclinação clara por um dos candidatos. A exceção foi a Prensa Latina, agência estatal cubana, cuja reportagem inclinou-se a favor de Lula.
Das 25 matérias verificadas, 24 (96%) mantiveram tom descritivo, e nenhuma declarou um vencedor em voz própria. Não houve matéria favorável a Flávio Bolsonaro, afirmou o professor Claudio Felisoni, coordenador do estudo.
Homogeneidade entre países ricos e pobres
Outro ponto chamou atenção dos pesquisadores: a uniformidade da cobertura entre nações ricas e pobres, sem diferenciação perceptível conforme a renda per capita de cada país. Descontada a reportagem cubana, de tom pró-Lula, a neutralidade prevaleceu desde a nação com menor renda da amostra (Venezuela, com 3.500 dólares per capita) até a de maior renda (Suíça, com 100.000 dólares).
