Um levantamento das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global apontou que o Brasil atravessou o período pré-eleitoral mais violento dos últimos dez anos. De acordo com o estudo “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, produzido desde 2016, o país registrou um episódio de violência política a cada 44 horas, mesmo fora do tempo de disputa nas urnas — o maior número já contabilizado na série histórica da pesquisa.

Foram anotados 354 casos de violência política no período, um aumento de 18,4% em relação aos 299 episódios identificados no levantamento anterior, referente ao pré-eleitoral encerrado em agosto de 2024.

O levantamento destaca que os episódios ocorreram mesmo sem a proximidade das votações, o que, para as entidades responsáveis pelo monitoramento, evidencia que os ataques por motivação política não arrefecem fora dos períodos eleitorais.

Grupos criminosos e policiais entre os autores

Segundo a diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho, os dados revelam a atuação de agentes variados nos ataques. “A pesquisa mostra que inclusive grupos criminosos e até mesmo policiais estão entre os responsáveis pelos atos de violência”, afirmou a dirigente.

Para ela, o quadro atual coloca em risco mais do que a segurança de quem disputa mandatos ou ocupa cargos públicos. “Estamos diante de um cenário que ameaça não apenas a vida de representantes políticos, mas também o funcionamento das instituições democráticas”, avaliou.

Monitoramento desde 2016

Produzido desde 2016, o estudo documenta episódios de violência política e eleitoral no país e consolida uma série histórica que permite comparar diferentes momentos do calendário eleitoral brasileiro. A comparação entre os ciclos pré-eleitorais é um dos parâmetros adotados pelas entidades para medir a evolução do fenômeno.

Os números do período atual indicam que os ataques por motivação política não diminuem quando não há eleições em curso. A frequência registrada — um caso a cada 44 horas — configura o pior resultado de toda a série histórica do levantamento.

Pela contabilização das organizações, o avanço de 18,4% entre um pré-eleitoral e outro aponta intensificação da violência mesmo no intervalo entre as disputas, cenário que, segundo as entidades, ameaça representantes políticos e o próprio funcionamento das instituições democráticas.