A quatro dias do segundo turno da eleição presidencial, os comandos das campanhas de Flávio Bolsonaro e de Luiz Inácio Lula da Silva acompanham com atenção a divulgação dos números da pesquisa do instituto Datafolha. O levantamento, um dos mais aguardados da reta final, tem potencial para confirmar — ou não — a leitura de que a corrida pelo Palácio do Planalto vive seu momento mais acirrado.

A expectativa nos bastidores das duas campanhas é de que o resultado funcione como termômetro do atual estágio da disputa. Se os índices apontarem proximidade entre os candidatos, a tese de uma eleição em aberto tenderá a ganhar ainda mais força nos dias que restam até o voto.

Empate técnico nos levantamentos recentes

Um cenário desse tipo não seria novidade nesta fase do pleito. Na véspera, o instituto Quaest divulgou levantamento que mostrou Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, com 45% das intenções de voto, contra 44% do petista — diferença que se enquadra no chamado empate técnico, considerada a margem de erro do estudo.

Na semana passada, o quadro era praticamente o mesmo: o candidato do PL aparecia com 47%, enquanto o presidente registrava 45%. Ou seja, os levantamentos mais recentes têm apontado vantagens mínimas e oscilações dentro da margem estatística, sem definir um favorito claro na corrida.

Números devem nortear a reta final

Os dados a serem divulgados devem ditar os rumos dos últimos dias de campanha. As duas campanhas tendem a calibrar agendas, presença nas ruas e investimentos em publicidade a partir do cenário desenhado pelo Datafolha, ajustando o discurso conforme a posição de cada um na disputa.

Outro ponto de impacto direto é o debate entre os dois candidatos, marcado para esta sexta-feira, na TV Globo. A estratégia que cada um adotará no encontro deverá levar em conta os números da pesquisa, que indicarão em que situação os postulantes chegam ao confronto televisionado.

Com diferenças tão estreitas entre os concorrentes, cada ponto percentual ganha peso adicional. Por isso, a divulgação do Datafolha é aguardada com atenção redobrada pelos dois lados: os números poderão reforçar a percepção de que a decisão sobre quem ocupará o Planalto será definida nos detalhes — ou apontar um caminho diferente para o desfecho do pleito.