A nova Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) reunirá, a partir da próxima legislatura, nomes consagrados da política paulista e parlamentares que chegaram ao cargo com forte apoio de políticos com grande presença midiática. Entre os eleitos em 2026 estão Eduardo Suplicy (PT), Luiza Erundina (PSOL) e a deputada trans Sofia Favero (PSOL).
A mais votada
Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi a candidata mais votada no estado, com 1,9 milhão de votos, muito à frente dos demais concorrentes. Afilhada de Lucas Pavanato, segundo deputado federal mais votado, a jovem nasceu em Campinas e ganhou projeção ao defender posicionamentos conservadores nas redes sociais — são 2,3 milhões de seguidores no Instagram e 223 mil no TikTok.
“Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista”, declarou durante o RedCast, debate do qual também participou Pavanato. Campopiano já questionou a tipificação do feminicídio. Ex-vereadora de Praia Grande, onde foi a mulher mais votada da cidade, destacou em campanha ter sido “a única vereadora a enviar 100% das emendas para a saúde do município no litoral paulista”.
Experiência e renovação
O segundo mais votado foi Eduardo Suplicy (PT), de 85 anos, com 654 mil votos — menos que os 807 mil registrados em 2022, quando retornou à Alesp como o deputado estadual mais votado. Economista e um dos nomes mais antigos do PT, ele já ocupou o cargo no fim dos anos 1970. Suplicy defende a renda básica universal, a economia solidária e a ampliação do acesso à cannabis medicinal.
Sofia Favero (PSOL), terceira mais votada, obteve 407 mil votos. Mulher trans, psicóloga, escritora e ativista dos direitos da população transexual, teve a candidatura apoiada pela deputada federal Erika Hilton, mulher mais votada para a Câmara dos Deputados. Favero defende bandeiras na educação pública, no urbanismo e na proteção das minorias.
Reeleitos e novatos
Entre os reeleitos estão veteranos da Casa como Barros Munhoz (PSD), que chega ao oitavo mandato, e Carlos Giannazi (PSOL), no sexto período.
A Assembleia contará ainda com Regina Nunes (MDB), primeira-dama do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, eleita com propostas voltadas à causa animal. Luiza Erundina (PSOL), primeira mulher a governar a capital paulista, conquistará pela primeira vez uma cadeira na Alesp. Aos 91 anos e atual deputada federal, tem como bandeiras a tarifa zero, a melhoria do transporte público e a proteção de mulheres, crianças e adolescentes.
Pelo PT, Duda Hidalgo foi a segunda deputada estadual mais votada, com mais de 154 mil votos. Aos 27 anos, formada em Direito e com passagem como vereadora em Ribeirão Preto, tenta pela segunda vez uma vaga na Casa, com propostas de permanência estudantil nas universidades, combate ao racismo e inclusão das demandas do interior.
Thammy Miranda (PSD), homem trans, filho da cantora Gretchen e vereador em São Paulo, garantiu uma cadeira com 85 mil votos. Rafa Minato (Missão), ex-chefe de gabinete do deputado federal Kim Kataguiri, foi o único eleito da legenda.
Bancada da Bala
Os parlamentares ligados às forças policiais reunirão ao menos nove representantes na próxima legislatura: Capitão Telhada (PP), Delegado Mesquita (PP), Delegado Olim (PP), Sargento Castro (PP), Delegada Graciela (PL), Capitão Mosart (PL), Tenente Coimbra (PL), Danilo Balas (PL) e Coronel Paganotto (PL).
