O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participou nesta segunda-feira (12) de missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida na Catedral de Brasília e anunciou que visitará o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (13).
Será o primeiro encontro desde julho, quando as visitas foram suspensas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que voltou a autorizá-las nesta segunda. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
“Estou muito feliz que o Dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça”, declarou Flávio à imprensa.
Esquiva sobre escala 6×1
O candidato, no entanto, se recusou a dizer se participará, no Senado, da votação do fim da escala 6×1, marcada para quarta-feira (14). Flávio tem evitado se posicionar sobre a medida defendida pelo governo Lula (PT), que tem apelo popular a duas semanas do segundo turno.
As visitas ao ex-presidente são restritas a quartas e sábados para familiares e a dias úteis para advogados — Flávio também está cadastrado como advogado do pai. Como a segunda é feriado nacional, o senador marcou o encontro pela manhã de terça.
Questionado sobre pedir conselhos de campanha ao pai, Flávio disse ter cuidado com a resposta “porque qualquer coisa é usada contra ele”. “Vou conversar na qualidade de filho”, afirmou. Para o senador, a proibição de Moraes não teve “humanidade” nem “amparo legal” e teve “apenas o intuito de separar um líder político de quem está concorrendo à Presidência da República e separar um pai de um filho, que eu acho mais grave”. Ele disse estar ansioso pelo reencontro e querer ver “como está o ânimo dele”.
Aceno aos católicos
Apesar de ser evangélico, Flávio compareceu à missa como um gesto de aproximação dos católicos após a polêmica envolvendo a santa na reta final do primeiro turno. A comunidade católica demonstrou preocupação com a promessa do candidato de decretar que o país é de Jesus Cristo se eleito, e circularam afirmações falsas de que ele removeria Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil.
Flávio chegou a acusar a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de ajudar o PT a disseminar as notícias falsas, mas depois recuou.
No sábado (10), o candidato participou de culto da Assembleia de Deus Ministério Madureira, no Rio de Janeiro. O bispo Samuel Ferreira fez pedidos velados de voto, o público gritou “é 22”, Flávio foi chamado de futuro presidente e cantou o “Hino da Vitória”. O uso da estrutura e da autoridade de uma igreja pode configurar abuso de poder religioso, classificação não prevista no código eleitoral, mas usada pela Justiça Eleitoral para moderar a influência de líderes religiosos sobre fiéis.
Ao deixar a catedral, Flávio afirmou que o ambiente foi acolhedor e que respeita a fé de milhões de brasileiros. “Somos todos cristãos. […] Está nas mãos de Deus o futuro da nossa nação”, disse.
Recepção na catedral
O candidato chegou ao local acompanhado da mulher, Fernanda, do vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), da conselheira econômica Daniella Marques (PL) e dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Izalci Lucas (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP), que carregou a imagem de Nossa Senhora. Todos foram citados pelo padre Agenor Vieira na homilia; Flávio foi chamado de querido e considerado bem-vindo, sem vaias nem aplausos.
Flávio rezou o Pai-Nosso, mas não o Credo, e utilizou o celular para escanear o QR Code no momento da oferenda. A chegada do senador, cercado por aliados e seguranças, causou alvoroço entre os fiéis, e parte do público se levantou para tirar fotos.
