Sete estados, que juntos respondem por 16% do eleitorado, terão segundo turno na disputa pelo governo em 2026. Nesses territórios, os candidatos seguem em campanha, pedindo votos e mobilizando apoiadores, enquanto nas demais unidades da federação a corrida já terminou. Essa diferença pode influenciar o resultado da eleição presidencial, aponta análise de pesquisadores do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV Cepesp).

Os pesquisadores usaram dados do CepespData para comparar eleições em que o candidato mais votado para governador ficou pouco acima ou pouco abaixo dos 50% necessários para vencer no primeiro turno. A estratégia aproxima casos muito semelhantes, separados apenas pela realização ou não de uma nova etapa de votação.

Das 162 disputas estaduais realizadas de 2002 a 2022, 68 tiveram o líder a menos de cinco pontos percentuais da marca dos 50%. No conjunto desses casos, o segundo turno para governador quase não alterou o desempenho dos presidenciáveis entre as duas etapas.

Disputas nacionalizadas

O quadro muda quando a eleição estadual é nacionalizada — aquela em que o PT ou o partido do adversário na corrida presidencial (PSDB até 2014, PSL em 2018 e PL em 2022) está entre os dois mais votados para governador. Nessas situações, o presidenciável petista cresceu menos na reta final: sua fatia dos votos dos dois finalistas avançou três pontos percentuais a menos do que nos estados sem segundo turno. É como se, em vez de ir de 48% para 53%, o candidato do PT chegasse apenas aos 50%.

Uma explicação possível está na força mobilizadora do antipetismo. Quando a disputa pelo governo estadual ganha contornos nacionais, o sentimento anti-PT pode ser ativado justamente no momento em que o eleitor também define seu voto para presidente.

Pleitos apertados

Até hoje, a dinâmica não mudou o vencedor de nenhuma eleição presidencial, mas pesou nos dois pleitos mais equilibrados. Em 2014, quando Dilma Rousseff venceu Aécio Neves por cerca de 3,5 milhões de votos, um segundo turno nacionalizado em Minas Gerais — Fernando Pimentel ganhou no primeiro turno com 53% — poderia ter custado ao petismo aproximadamente 600 mil votos.

De forma semelhante, em 2022, o fato de a eleição na Bahia não ter sido resolvida no primeiro turno pode ter custado a Lula cerca de 500 mil votos, que teriam ampliado a vantagem de 2,1 milhões sobre Jair Bolsonaro.

O resultado não parece decorrer de mudanças no comparecimento às urnas. O segundo turno estadual reduz um pouco a abstenção, mas aumenta os votos brancos e nulos, sobretudo nas disputas não nacionalizadas — no fim, o total de votos válidos quase não muda. O efeito sobre os candidatos do PT também não se concentra em zonas eleitorais com votação especialmente alta ou baixa para o partido no primeiro turno, nem nas áreas com maior apoio a candidatos eliminados.

Cautela

A análise olha para o passado e não pretende prever o resultado de 25 de outubro. Além disso, embora frequentes, as disputas para governador decididas por margens estreitas são relativamente poucas, o que limita conclusões mais gerais.

Ainda assim, em uma eleição presidencial decidida por poucos milhões de votos, a briga pelo governo de estados populosos pode pesar — e não necessariamente por causa da abstenção.