O governo de Abelardo de la Espriella mal completou dois meses no poder e já encara sua primeira grande prova de força. Nesta quarta-feira (14), milhares de colombianos foram às ruas na primeira greve nacional contra a gestão, em um dia de protesto que transformou o início do mandato em um teste direto de capacidade política e de diálogo com a sociedade.

Mobilização precoce coloca novo governo à prova

Greves nacionais estão entre os instrumentos mais expressivos de pressão popular na Colômbia, pois reúnem diferentes setores da sociedade em torno de reivindicações comuns. O fato de o primeiro ato desse tipo ocorrer tão pouco tempo depois da posse chama atenção no meio político, já que mobilizações dessa escala costumam surgir em momentos posteriores de um governo, quando decisões já consolidadas provocam reação organizada nas ruas.

No caso de Espriella, o protesto acontece antes mesmo de o governo completar os tradicionais cem dias de gestão, o que antecipa o confronto entre o Executivo e setores organizados da sociedade. Para o novo presidente, o desafio imediato é administrar o desgaste político sem perder o ritmo da agenda que o levou ao poder.

Primeiro teste de rua do mandato

A jornada desta quarta-feira (14) marca, portanto, o primeiro episódio de mobilização nacional contra o governo de la Espriella. Milhares de pessoas marcharam para demonstrar insatisfação com a gestão, em um movimento que, no plano político, sinaliza que o novo presidente terá de conviver com uma oposição disposta a ocupar as ruas desde o início do mandato.

Greves dessa abrangência tendem a dominar o debate público e a cobrar respostas do Executivo. A maneira como o governo conduzir o diálogo com os manifestantes nos próximos dias deve ajudar a definir o tom das relações entre o poder e as ruas ao longo do mandato.

O saldo do dia confirma o tamanho do desafio: dois meses após a posse, o presidente já se vê diante de uma mobilização capaz de levar milhares de pessoas às ruas em escala nacional. O episódio indica que o clima político na Colômbia tende a seguir tenso, com as ruas ocupando papel central no jogo de pressões que envolve o novo governo.