O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) avaliou nesta quarta-feira (21.out.2026) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não deve liberar seus sigilos telefônico, bancário e fiscal e que, caso o faça, pode terminar na mesma situação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso.
“Pelos pretextos que ele tá colocando, ele não vai abrir o sigilo, nem pode abrir. Porque senão ele pode acabar no mesmo lugar que tá o pai dele”, declarou Dirceu ao Poder360, após participar de um ato em defesa da Constituição, da democracia e dos direitos humanos realizado na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo.
O desafio
A polêmica começou no domingo (18.out), durante debate na Band, quando o presidente Lula (PT) desafiou Flávio a abrir os sigilos dele e de seus familiares. Na terça-feira (20.out), a campanha petista encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para a divulgação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de familiares, condicionada à publicação das mesmas informações pelo senador.
Nesta quarta-feira (21.out), Flávio afirmou que aceitaria o desafio, mas impôs 19 exigências adicionais. Entre elas, está a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula investigado pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência. O senador também pediu esclarecimentos sobre o Instituto Lula e os gastos com cartões corporativos da Presidência e da primeira-dama, Janja da Silva.
Ainda nesta quarta, a campanha de Lula informou que o presidente aceita as 19 condições apresentadas pelo senador, inclusive a liberação dos dados de Marcola. O porta-voz da pré-campanha, Camilo Santana (PT-CE), cobrou ainda que Flávio inclua na lista a empresa Alcazar Holdings, uma offshore ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar que é alvo de investigação da PF por suspeita de lavagem de dinheiro.
2º turno
Ao comentar o cenário eleitoral, Dirceu avaliou que a campanha de Lula ganhou uma dimensão histórica com a mobilização de apoiadores nas ruas, sobretudo entre os jovens. Segundo ele, a participação popular alterou o rumo da disputa no segundo turno.
“A campanha tá na mão dos milhões de brasileiros que saíram às ruas, principalmente da juventude brasileira. Acho que é uma campanha que ganhou uma dimensão histórica”, afirmou o ex-ministro.
Prisão
Dirceu foi condenado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal em 2012, mas teve a pena extinta após receber um indulto do STF em 2016.
O petista também ficou preso por 1 ano e 9 meses em Curitiba (PR), por determinação da operação Lava Jato, hoje encerrada. Ele foi solto em 3 de maio de 2017.
Em outubro de 2024, o ministro do STF Gilmar Mendes anulou todas as condenações da Lava Jato contra o ex-ministro. Com a decisão, Dirceu recuperou seus direitos políticos e deixou de ser considerado “ficha suja”.
Outro lado
O Poder360 procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro para saber se ele desejava se manifestar sobre as declarações de Dirceu. Não houve resposta até o fechamento desta reportagem. O texto será atualizado caso haja posicionamento do senador.
