O setor de seguros no Brasil vive um momento de maior seletividade nas fusões e aquisições. Embora o número de operações tenha recuado em 2026, as transações com valores divulgados ficaram mais robustas, refletindo uma preferência das compradoras por aquisições consideradas estratégicas.
Valor mediano cresce 76%
Dados levantados pela consultoria Acorn Advisory, com base em informações do TTR Data, mostram que o valor mediano das transações divulgadas saltou de R$ 71 milhões em 2025 para R$ 125 milhões neste ano, o que representa um avanço de aproximadamente 76%.
Até 8 de outubro, haviam sido identificadas dezesseis operações no setor, contra 45 registradas ao longo de todo o ano passado. A comparação entre períodos distintos exige cautela na análise, mas o contraste indica que será preciso acompanhar de perto o ritmo de fechamento de negócios no último trimestre do ano.
Licenças reguladas atraem compradores
O levantamento aponta que parte das aquisições em curso é motivada não apenas pela intenção de ampliar carteiras de clientes, mas também pelo acesso a empresas que já detêm licenças para atuar em segmentos regulados do mercado segurador.
Entre os movimentos mais recentes do setor estão a compra da Kovr pelo PicPay, em operação avaliada em R$ 657,6 milhões, e o anúncio da aquisição da Fator Seguradora pela japonesa Sompo.
Cautela adia decisões
Na avaliação da Acorn Advisory, o custo elevado do capital e as incertezas em torno do cenário eleitoral contribuíram para o adiamento de decisões de investimento. O efeito foi especialmente sentido entre os compradores que dependem de financiamento bancário ou de recursos vindos de fundos de investimento.
Segundo a consultoria, uma parcela das transações represadas por esse ambiente de cautela poderá retornar à mesa de negociação em 2027, caso as condições de juros se tornem mais favoráveis e os investidores encontrem maior previsibilidade para planejar seus movimentos.
Perspectiva para o setor
O quadro desenhado pelos dados sugere uma reconfiguração do mercado de fusões e aquisições no seguro: menos operações, mas de maior porte e com alinhamento estratégico mais evidente. A combinação de licenças reguladas, carteiras consolidadas e valores transacionados mais altos indica que as compradoras estão dispostas a pagar mais por ativos que consideram essenciais para seus planos de crescimento, enquanto aguardam um cenário macroeconômico mais estável para destravar negócios que seguem em análise.
