O deputado estadual André do Prado (PL) foi eleito senador por São Paulo neste domingo (4), com 29,3% dos votos. Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no mesmo pleito, ele ocupará uma das três cadeiras paulistas no Senado Federal por oito anos, a partir de fevereiro de 2027.
Articulação de Tarcísio
A vitória consolida a estratégia montada por Tarcísio, que defendeu o nome de Prado para integrar a chapa da direita ao Senado — ao lado de Guilherme Derrite (PP), também eleito — e atuou como seu principal cabo eleitoral na campanha. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, também declarou apoio público e participou de eventos com o eleito em São Paulo.
Trajetória política
Natural de Guararema, na região do Alto Tietê, André do Prado tem 57 anos e mais de três décadas de vida pública, sempre filiado ao PL de Valdemar Costa Neto, seu padrinho político. Desde os anos 1990, foi vereador por dois mandatos, presidente da Câmara Municipal, vice-prefeito e prefeito da cidade natal, cargo exercido entre 2005 e 2008.
A passagem para a política estadual veio em 2010, quando, convidado pela direção do PL para reorganizar a estrutura partidária em São Paulo, foi eleito deputado estadual com 86.346 votos — à época, único representante da legenda na Assembleia. Reeleito em 2014, 2018 e 2022, alcançou o quarto mandato consecutivo com 216.268 votos.
Protagonismo na Alesp
Pouco conhecido do grande público, Prado ganhou destaque ao assumir a presidência da Alesp em 2023, já no governo Tarcísio. Na última legislatura, conduziu votações de propostas centrais da administração estadual — como a privatização da Sabesp — e contribuiu para sustentar uma base ampla de apoio ao governador no Legislativo.
Resistência no campo conservador
A construção da candidatura enfrentou resistência dentro do próprio campo conservador. O principal crítico foi o ex-ministro Ricardo Salles (Novo), que também pretendia disputar uma vaga ao Senado. Em campanha, Salles afirmava que o deputado representava o Centrão, e não a direita ideológica, e costumava chamá-lo de “pupilo” de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.
Na reta final, porém, Salles desistiu da disputa e anunciou apoio a André do Prado e a Derrite, ao lado do governador. Para justificar a decisão, afirmou que as diferenças precisavam ser deixadas de lado diante do que classificou como risco de uma nova eleição do presidente Lula (PT).
Campanha e dia da votação
Ao longo dos 45 dias de campanha, Prado buscou associar sua imagem à gestão Tarcísio e percorreu cidades do interior, da Região Metropolitana e do litoral paulista acompanhado de prefeitos, vereadores e lideranças do PL.
Neste domingo, o senador eleito votou em Guararema, na Escola Estadual Ivan Brasil, onde estudou e também lecionou. Após depositar o voto, disse estar com o “coração em paz” e avaliou ter cumprido o objetivo de apresentar suas propostas aos eleitores.
