O último debate da campanha presidencial, promovido pela Globo nesta sexta-feira (23), chega com estratégias distintas: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fará um esforço para não aumentar a própria rejeição, e o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, tenta não se abalar com provocações.
O confronto é tratado como decisivo pelas duas campanhas, em uma disputa tecnicamente empatada e com grande percentual de indecisos.
Empate no Datafolha
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostrou empate numérico, com 50% das intenções de votos válidos para cada um. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro fez 47% e Lula, 45%. Nunca o mais votado no primeiro turno perdeu a eleição no segundo. O levantamento também indicou que 46% rejeitam apenas Flávio Bolsonaro e 45%, apenas Lula.
Mudança de postura
Aliados de Flávio avaliam que o clima de vale-tudo criado no primeiro debate não beneficiou o senador, e que seria necessário suavizar a postura de ataque. A leitura interna é de que ele se saiu melhor, mas com discurso esvaziado, sem priorizar as propostas.
Entre aliados de Lula, há a avaliação de que ele ficou abalado com algumas instigações, o que teria prejudicado o desempenho. Eles citam a presença na plateia de Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), este último vestindo camiseta com os dizeres “eu prendi o Lula, STF soltou”. A exaltação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também teria tirado o foco do petista.
Treino intensivo do PL
Na campanha de Flávio, o embate a dois dias da eleição é tratado como prioridade. O candidato visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta (22), e reservou dois dias sem agendas públicas para treinar — no programa anterior, no domingo, ensaiou apenas algumas horas antes.
Segundo auxiliares, o objetivo é reforçar segurança pública e economia como principais eixos da campanha. Um interlocutor resume que o presidenciável quer mostrar “como o cidadão não vai ter o celular roubado e como vai chegar com dinheiro no fim do mês”.
Como o debate terá temas definidos e perguntas para regiões do Brasil, aliados consideram importante que o candidato domine os assuntos e demonstre conteúdo. A equipe, a princípio, manteria a movimentação pelo palco — tática que irritou a campanha de Lula: no primeiro confronto, o bolsonarista se posicionou atrás do adversário, reagindo e negando suas falas para inviabilizar cortes nas redes sociais.
A pedido do PT, a Globo restringiu essa possibilidade. Pelas regras, somente o candidato com a palavra poderá se movimentar, e no embate direto cada um poderá andar apenas pelo próprio lado do palco.
Preparação de Lula
Aliados do petista relatam que um dos principais esforços será não cair em provocações. A preparação tomou a quinta (22) e segue nesta sexta, no Rio de Janeiro, para onde o presidente viaja de Brasília no fim da manhã.
O grupo de apoio inclui o senador Camilo Santana (PT-CE), o senador eleito Rui Costa (PT-BA), o governador reeleito Rafael Fonteles (PT-PI), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, Sidônio Palmeira, o marqueteiro Raul Rabelo e Sandra Brandão, auxiliar de Lula no Planalto responsável por informações sobre as ações do governo.
Na preparação, Lula costuma mais estudar grandes temas e discutir possíveis respostas e perguntas com aliados do que simular situações reais. Ele reclama publicamente dos formatos dos debates e, nos bastidores, demonstra não gostar das simulações.
Integrantes do entorno do petista apontam que ele deixa de cumprir o combinado nas atividades de preparação. O principal exemplo seria não ter pedido voto nem no debate da Band nem na entrevista ao Jornal Nacional, apesar de orientação nesse sentido.