O eleitorado evangélico segue no centro da disputa política no Brasil, mas os próprios fiéis rejeitam o uso eleitoral das igrejas. É o que aponta levantamento do Iser/Quaest, realizado com base em 15 mil entrevistas em 412 municípios brasileiros.
A busca pelo voto desse segmento se tornou parte recorrente da estratégia de partidos e candidaturas. O estudo, no entanto, indica que a atenção dos políticos nem sempre encontra contrapartida nas comunidades religiosas, que resistem à transformação de templos em palanques.
Outro dado relevante é o perfil interno do grupo. Segundo a pesquisa, os fiéis têm perfis diversos, o que dificulta tratá-los como uma massa de voto única e previsível nas eleições.
Diversidade dentro do campo evangélico
A variedade de perfis identificada pelo levantamento acompanha um traço conhecido do protestantismo brasileiro: o campo evangélico reúne denominações históricas, pentecostais e neopentecostais, com práticas religiosas, origens sociais e trajetórias políticas distintas. Para partidos e candidatos, o dado significa que o apoio do segmento não pode ser tratado como automático, já que as preferências variam dentro do próprio grupo.
Presença forte nas redes sociais
A pesquisa também destaca a forte presença dos evangélicos nas redes sociais. Em um cenário em que as plataformas digitais se consolidaram como espaço central de comunicação política, essa característica confere ao segmento peso relevante no debate público e nas estratégias de campanha. A atuação digital amplia ainda a circulação de conteúdo religioso e político entre os fiéis, sem depender dos canais tradicionais, como rádio e televisão.
Resistência ao uso eleitoral dos templos
Apesar da atenção recebida das candidaturas, os fiéis rejeitam o uso eleitoral das igrejas, aponta o estudo. A resistência dialoga com a legislação eleitoral brasileira, que impõe restrições à propaganda política em templos religiosos. Na prática, o sentimento registrado pelo levantamento mostra que candidatos não podem contar com aval automático das comunidades para transformar espaços de culto em instrumentos de campanha.
O conjunto de informações desenha um cenário desafiador para as forças políticas: um eleitorado cobiçado, mas internamente diverso, atuante nos ambientes digitais e contrário à transformação de igrejas em palco eleitoral. Para a disputa, o levantamento sugere que a aproximação com esse público exige sensibilidade à diversidade do grupo e respeito à fronteira entre culto e propaganda.
