Uma docente da rede municipal de Potirendaba, cidade a aproximadamente 450 km da capital paulista, foi afastada do cargo depois de afirmar em sala de aula que pardos, negros e pessoas pobres morreriam caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a disputa pela Presidência da República. As falas foram dirigidas a estudantes de 11 anos e ficaram gravadas pelas câmeras de segurança da unidade de ensino.

O episódio ganhou repercussão na 4ª feira (21.out.2026), quando a prefeita Gislaine Franzotti publicou um vídeo sobre o caso em suas redes sociais. De acordo com a gestora, ela tomou conhecimento da situação pela mãe de uma das alunas. A criança teria voltado para casa chorando e apavorada após ouvir as declarações da professora.

Afastamento e investigação

Diante da gravidade, a docente foi afastada das atividades. A Prefeitura de Potirendaba abriu sindicância para apurar o ocorrido e informou que deu encaminhamento do caso a órgãos de investigação e de proteção à infância.

Em nota oficial, o município relatou que a professora teria associado um eventual cenário político ao regime fascista e feito declarações que provocaram medo e abalo emocional nas crianças. Também teria proferido falas de caráter discriminatório, com referências diretas a alunos negros.

O que diz a Prefeitura

A administração municipal avaliou que a conduta, se confirmada, é incompatível com os princípios de respeito, dignidade e igualdade que devem nortear o ambiente escolar, principalmente quando partem de quem tem a função de proteger, ensinar e orientar os alunos. A prefeita determinou a análise das imagens da sala de aula e a instauração de procedimento administrativo, além de representações ao Ministério Público do Trabalho, ao Juiz da Infância e Juventude e demais autoridades competentes.

O texto reforça que a Prefeitura não compactua com discriminação nem com condutas que causem intimidação, constrangimento ou sofrimento emocional a estudantes, e defende que a escola deve ser espaço de conhecimento, formação cidadã, respeito às diferenças e segurança emocional. Segundo a nota, o estudo de episódios históricos como o Nazismo e o Holocausto é fundamental para a educação, mas precisa ser conduzido com responsabilidade pedagógica, sem discriminação, intimidação ou uso indevido da vulnerabilidade emocional das crianças.

Como o caso envolve menores de idade e um procedimento em andamento, a Prefeitura afirmou que preservará a identidade dos estudantes e divulgará novas informações no momento oportuno, respeitando a legislação vigente.