“A guerra tá só começando.” A frase é de Eduarda Campopiano (PL), 23 anos, eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo, ao falar sobre o embate com feministas. Com 100% das urnas apuradas, ela somava 1.956.238 votos.

Em entrevista concedida na noite de domingo (4), a parlamentar afirmou que pretende barrar propostas de deputados ligados ao movimento feminista — classificado por ela como autor de ideias “absurdas” — e disputar uma cadeira na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Entre as iniciativas às quais promete resistir está o projeto que criminaliza a misoginia, em discussão no Congresso Nacional.

Posicionamento antifeminista

Afilhada política do vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), Campopiano disse que manterá o discurso antifeminista ao longo do mandato. Ela define o feminismo como um movimento político e ideológico de esquerda e atribui as críticas que recebe à divergência com as integrantes.

“Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas”, afirmou. “Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual.”

Entre as bandeiras da eleita está a representação de um eleitorado conservador, identificado com o lema “Deus, pátria, família e liberdade”. Sobre o aborto, que rejeita em todas as circunstâncias, declarou: “Eu não quero que o aborto seja proibido, eu quero que o aborto seja impensável”. Para isso, planeja viabilizar atendimento a gestantes que desejam desistir do procedimento, divulgar a entrega legal para adoção e atuar contra clínicas clandestinas.

Segurança pública

Na área de segurança, a deputada eleita defenderá o endurecimento das penas e reafirma a oposição à tipificação do feminicídio. Para ela, assassinatos de mulheres cometidos por parceiros devem ser compreendidos como crimes passionais, motivados pelo sentimento de posse dentro do relacionamento.

“Se as mulheres fossem mortas de fato apenas por serem mulheres, provavelmente as mães, as irmãs desses homens que cometem esse crime seriam as primeiras vítimas”, declarou. Segundo Campopiano, a resposta ao problema deve se concentrar na punição mais severa dos criminosos.

A parlamentar também defende o direito ao porte de armas de fogo para mulheres, sob o argumento de que a medida amplia a proteção contra a violência. É contrária, ainda, às cotas raciais e a iniciativas que reconheçam formalmente a prostituição como profissão.

Campanha jovem e financiamento partidário

A eleita contou que o resultado superou as expectativas. Ela e a equipe deixaram os celulares de lado e só consultaram a apuração quando 96% das urnas já estavam contabilizadas. “Foi infinitamente maior do que eu imaginava”, afirmou.

Segundo a deputada, a estrutura de campanha foi formada majoritariamente por pessoas na faixa dos 20 anos, com coordenação do noivo, de 21. “A gente sabia que a gente ia chegar com força, mas a gente não sabia que a gente ia chegar com tanta força”, disse, ao avaliar que a responsabilidade agora aumenta.

A candidatura arrecadou aproximadamente R$ 755 mil, dos quais mais de 90% vieram do diretório nacional do PL. A maior parte dos gastos foi destinada ao impulsionamento de conteúdo na internet.

Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024, com 3.583 votos, e não declarou bens ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).