Uma escada de pedra com cerca de 600 anos conduziu arqueólogos a uma plataforma funerária oculta dentro do palácio Gran Chimú, no sítio de Chan Chan, na costa norte do Peru. A estrutura escondia 38 sepultamentos preservados sob camadas de terra, no que é considerado o maior centro urbano pré-colombiano das Américas.

Onde fica Chan Chan e o que é o Gran Chimú

Chan Chan, localizada próximo à cidade de Trujillo, foi a capital do império Chimú e é reconhecida como a maior cidade pré-colombiana construída em barro das Américas. Entre os anos 900 e 1470 d.C., os chimúes ergueram no deserto uma capital inteiramente feita de terra, com muros esculpidos com aves marinhas e ondas, palácios labirínticos e figuras de madeira que funcionavam como guardiões, ocupando cerca de 20 quilômetros quadrados.

O Gran Chimú, um dos complexos monumentais do sítio, reunia estruturas cerimoniais e administrativas ligadas à elite dessa civilização, que prosperou séculos antes da chegada dos incas à região. A conquista inca, em 1470 d.C., marcou o fim do império Chimú.

Para onde a escada levava

A escada, com aproximadamente 2,4 metros, dava acesso a uma câmara central de cerca de 1,2 metro de largura por 4,9 metros de comprimento. Os arqueólogos identificaram esse espaço como o núcleo de uma plataforma funerária maior, que contava ainda com duas câmaras laterais anexas ao compartimento principal.

Como estavam organizadas as câmaras

A câmara central guardava os restos de uma única pessoa, acompanhados de um nicho específico escavado na parede. Já as duas câmaras laterais, cada uma com aproximadamente 1,2 por 7,9 metros, tinham funções distintos: uma delas abrigava os restos de outras 20 pessoas, enquanto a segunda reunia armas e objetos de metal, sem ossos humanos associados diretamente ao espaço.

Objetos encontrados junto aos corpos

Na câmara central, a equipe localizou artefatos de concha, cobre e ouro junto aos restos humanos. Segundo os pesquisadores, esses materiais indicam cuidado e investimento na preparação do sepultamento. A câmara lateral destinada às armas reforça a hipótese de que a plataforma pertencia a indivíduos de status elevado dentro da sociedade Chimú.

Quem conduziu a escavação

Os trabalhos foram liderados pelo arqueólogo peruano Jorge Meneses, com apoio do Ministério da Cultura do Peru, órgão que também ficou responsável pelo registro fotográfico do achado. A descoberta foi inicialmente divulgada pela agência de notícias Andina e, em seguida, repercutiu internacionalmente em veículos especializados em arqueologia, como a Archaeology Magazine, onde mais detalhes sobre a escavação estão disponíveis.

O achado se soma a outras descobertas recentes em Chan Chan, como a identificação de 20 ídolos de madeira e murais de cerca de 800 anos no conjunto amurallado Utzh An, antigo nome do Gran Chimú, no complexo arqueológico de La Libertad.