A BR-285 ganhará, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, uma travessia de grande porte. A ponte do Rio das Antas, com cerca de 400,4 metros de comprimento, vai cruzar um cânion de 50 a 60 metros de altura e integra o trecho em obras entre São José dos Ausentes e o lado catarinense.
Por que a travessia precisa ser elevada
O traçado corta uma região de desníveis acentuados, e a continuidade da estrada depende de transpor o vale do Rio das Antas. A opção por uma ligação elevada evita tentar vencer toda a depressão com descidas e subidas extremas.
O corredor conecta regiões do interior gaúcho ao território catarinense e, com a implantação do segmento serrano, permitirá conexão com outras rodovias, entre elas a BR-101.
Estrutura e método construtivo
Segundo o projeto informado pelo DNIT, a ponte terá aproximadamente 400,4 metros de comprimento. Como o cânion apresenta altura variável entre 50 e 60 metros, a definição das fundações e do método de construção ganha peso especial no planejamento.
O desenho combina trechos com vigas convencionais e um segmento principal executado pelo método dos balanços sucessivos, em que o tabuleiro avança a partir dos apoios. A técnica reduz a necessidade de estruturas provisórias no fundo do vale.
Obras que completam a ligação
A travessia integra a implantação e a pavimentação de um trecho de aproximadamente 8,47 quilômetros em São José dos Ausentes, que também prevê interseções e serviços de acabamento. No lado catarinense, a ligação depende da continuidade da infraestrutura viária.
Em março de 2026, o DNIT informou que a pavimentação no segmento gaúcho havia alcançado cinco quilômetros — um registro de etapa do trabalho, não a conclusão da ligação interestadual.
Proteção à fauna
O programa de proteção à fauna divulgado pelo DNIT em 23 de março de 2026 prevê adequações em duas passagens subterrâneas, além de cercas para conduzir os animais até os pontos de travessia. O objetivo é separar o fluxo de veículos dos deslocamentos da fauna silvestre, com acompanhamento das obras em uma área sensível.
Terreno exige soluções além do asfalto
Paredões, cursos d’água e vegetação nativa limitam as alternativas de traçado. Além de erguer a ponte, é necessário estabilizar encostas, implantar drenagem e executar pavimento em condições topográficas bem diferentes das encontradas em planícies.
Outro desafio é integrar as medidas ambientais ao projeto rodoviário: as passagens de fauna só cumprem sua função quando o acesso dos animais é considerado junto com cercas, margens da pista e manutenção posterior.
Quando a ligação funcionará por completo
Os prazos divulgados para a conclusão são estimativas sujeitas ao ritmo das obras. Uma visita técnica do Ministério dos Transportes em 2026 apontou o primeiro semestre de 2027 como previsão para a ponte — o que não garante a liberação de todo o percurso.
Para a viagem contínua entre os estados, será preciso concluir e liberar tanto a travessia quanto os segmentos de acesso. A ponte resolve o obstáculo mais visível do terreno, mas não substitui as etapas restantes da implantação rodoviária.