A aprovação do fim da escala 6×1 segue gerando debates em diferentes setores da sociedade. Entre as vozes que celebram a mudança está a chef do restaurante Camélia Òdòdó e ativista alimentar Bela Gil, que classificou a conquista como um marco para os trabalhadores e, sobretudo, para as mulheres.
Para Bela Gil, o fim do regime de seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso pode ser compreendido como uma medida feminista. Segundo ela, a alteração na jornada representa uma conquista dos trabalhadores de modo geral, mas carrega um significado especial no que diz respeito à vida das mulheres, que historicamente acumulam jornadas profissionais com responsabilidades domésticas e de cuidados.
Conquista dos trabalhadores
A avaliação da chef foi feita publicamente em suas redes. Bela Gil, que também é autora do livro “Quem…”, destacou que a mudança na escala de trabalho vai além da questão do descanso, atingindo dimensões sociais que afetam de forma desigual homens e mulheres.
A defesa do fim da escala 6×1 como pauta feminista se conecta a um argumento recorrente no debate público sobre a medida: a sobrecarga das mulheres, que muitas vezes precisam conciliar o trabalho remunerado com o acúmulo de tarefas invisíveis em casa. Nesse contexto, um dia adicional de descanso semanal é visto por apoiadores da mudança como um ganho de tempo, saúde e qualidade de vida, especialmente relevante para quem concentra duplas ou triplas jornadas.
Debate sobre a jornada de trabalho
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional e mobilizou trabalhadores, sindicatos, empresários e especialistas em direito do trabalho. Enquanto defensores da proposta apontam benefícios para a saúde física e mental dos trabalhadores e para a conciliação entre vida profissional e pessoal, setores empresariais manifestaram preocupações com impactos operacionais e custos.
No meio desse embate, vozes de diferentes áreas — como a de Bela Gil, que atua no campo da alimentação e da sustentabilidade — passaram a destacar dimensões sociais da pauta, incluindo a leitura de que a redução da jornada tem efeitos que se estendem à esfera das relações de gênero.
Ao classificar o fim da escala 6×1 como uma medida feminista, a chef reforça a corrente que entende a organização do tempo de trabalho como uma questão que atravessa a vida familiar e coletiva, e não apenas o ambiente profissional.
Com a aprovação da mudança, o Brasil passa a discutir as etapas de transição e regulamentação do novo regime de descanso, enquanto trabalhadores de diferentes setores acompanham os desdobramentos daquela que é considerada uma das maiores alterações na jornada de trabalho das últimas décadas no país.
Do ponto de vista de apoiadores como Bela Gil, a conquista simboliza um avanço não apenas econômico, mas também social — um passo na direção de uma organização do trabalho que reconheça as desigualdades ainda presentes entre homens e mulheres, tanto no mercado quanto no lar.
