Da África ao Brasil: a trajetória de Lenna Bahule
A cantora, multiartista e ativista moçambicana Lenna Bahule mantém viva, na obra e no cotidiano, a ligação com suas origens africanas. Ainda assim, a artista tem passado cada vez mais tempo no Brasil — e a escolha não é por acaso.
É nesse entrelaço de territórios que a multiartista constrói sua reflexão sobre os desafios do presente. Migração, crescimento da extrema direita e os riscos que pesam sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) figuram entre os temas que atravessam seu pensamento.
Raízes africanas no centro da criação
A origem moçambicana ocupa lugar central na produção de Bahule. Seja na música, seja nas demais linguagens que integra como multiartista, a referência ao continente africano permanece presente e vívida, funcionando como alicerce de seu trabalho e de sua existência.
Ao mesmo tempo, a relação com o Brasil se aprofunda. O país passou a acolher boa parte da rotina da artista, o que alimenta suas inquietações sobre o que significa migrar, pertencer e resistir em um cenário político marcado por tensões.
O alerta sobre o SUS
Entre os pontos que mobilizam a ativista está a defesa da saúde pública. Diante da ameaça ao SUS, a pergunta que resume parte de sua reflexão é direta: “Como eu sobreviveria?”. A indagação traduz o temor de quem enxerga no sistema universal de saúde um dos principais pilares de proteção social do país.
A fala de Bahule conecta a experiência do deslocamento ao quadro político contemporâneo. O avanço da extrema direita aparece em sua reflexão como pano de fundo das preocupações que o momento impõe — sobretudo a migrantes e a populações que dependem de serviços públicos.
Arte como forma de resistência
Mais do que relatar uma trajetória, a reflexão de Lenna Bahule evidencia o papel que a arte ocupa em sua vida: espaço de afirmação identitária, de denúncia e de conexão entre povos. A fala, iniciada de modo hesitante — “Eu acho que talvez…” —, se desdobra e revela como migração, extrema direita e ameaça ao SUS se entrelaçam em sua visão de mundo.
Entre Moçambique e o Brasil, a multiartista segue criando e refletindo, com as raízes africanas como bússola e com a saúde pública brasileira entre as causas que defende com veemência.
