O Estadão adiantou-se para tentar explicar mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro conversa com o sócio Flávio Carneiro e diz que no jornal estão “em casa”, em clara referência à influência editorial exercida no veículo, hoje controlado por banqueiros e empresários. “No Estadão estamos em casa, temos crédito lá”, disse Carneiro ao banqueiro.
O jornal publicou matéria com o título “Metrópoles prepara ataque mentiroso ao Estadão por expor influência de Vorcaro no portal”. Segundo a publicação, o Metrópoles utiliza “um recorte de mensagens vazadas entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro” e omite o conteúdo completo dos diálogos.
A íntegra das conversas, porém, mostra precisamente o que foi revelado: o Estadão, embora sobreviva com empréstimos de bancos adversários e hostis ao Banco Master, não relutou em ceder aos interesses de Vorcaro.
Socorro financeiro e debêntures
Em seu texto, o Estadão aborda a emissão de debêntures que deu sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava dívida de R$ 159 milhões, transformando bancos e grandes empresários em credores. O grupo paulista escondeu por dois anos a identidade dos participantes do socorro financeiro. Os nomes só se tornaram públicos a partir de reportagem do Metrópoles.
O Estadão admite a presença de Rubens Ometto, empresário que organizou o socorro, entre os debenturistas. Ometto e seus banqueiros parceiros passaram a ocupar espaço no jornal, o que rendeu ao veículo a alcunha de “Jornal dos Banqueiros”. A matéria traz trecho em que Vorcaro lamenta não ter participado do negócio. Ometto não convidaria o Master para o polo de socorristas, formado por seus maiores rivais do mercado financeiro.
Pedido de resposta ao outro lado
O Estadão trata como “evidência de que o Metrópoles prepara um ataque” o envio de e-mail com pedido de direito de resposta. Ao demandar respostas ao jornal paulista, o Metrópoles cumpre o dever de ouvir o outro lado antes de publicar qualquer matéria.
O jornal afirma ainda que as falas de Carneiro sobre “estar em casa” e “ter créditos” provavelmente são uma tentativa de demonstrar ao sócio uma influência que ele não tinha. Se o Estadão considera mentirosas as declarações de Carneiro sobre a relação entre o veículo, Vorcaro e Ometto, processará o empresário?
Em outro trecho, o Estadão usa conversa de Vorcaro com Ana Matos, então superintendente de Marketing e Comunicação do Banco Master, para argumentar que “a incapacidade de controlar a narrativa do jornal gerava forte irritação na cúpula do Banco Master”. A queixa da funcionária, no entanto, era mais intensa em relação ao Metrópoles, que publicou mais de 1.600 matérias sobre o banco e seus negócios com o BRB.
“Intimidação editorial” e contratos
O Estadão menciona um suposto “método” do Metrópoles que “reforça um padrão recente de intimidação editorial”, citando casos envolvendo a Folha de S.Paulo e o Itaú. O Metrópoles publicou conversas de Vorcaro com múltiplos interlocutores, com relatos sobre relações com o empresariado, o Poder Judiciário e órgãos de imprensa.
Sobre a parceria da CBF com o Metrópoles para a transmissão da Série D, o Estadão diz que não teria sido mencionado que Luiz Estevão comercializou os “naming rights” da competição. A transação, porém, é evidente: o torneio passou a se chamar Will Bank Série D, denominação exibida em todas as transmissões e nas placas publicitárias.
Segundo o Estadão, além dos R$ 6 milhões da transmissão da Série D, os diálogos indicam três contratos distintos: um de R$ 20 milhões, outro de R$ 25 milhões e um terceiro de cerca de R$ 900 mil. O contrato de R$ 25 milhões não foi cumprido nem pago, em razão da liquidação do banco. Quanto ao de R$ 20 milhões, basta verificar as campanhas publicitárias veiculadas pelo Metrópoles, nas quais Vorcaro também anunciava.