A última semana foi marcada por discussões nas redes sociais que mobilizaram as campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto. Entre esta quarta-feira (30) e a passada (23), o debate foi ocupado pela proibição das bets, pela notícia falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida, pelo vazamento de mensagens do ex-sócio de Flávio e por uma frase de Lula sobre exames ginecológicos retirada de contexto.

Segundo análise da Palver, empresa que monitora o debate público e a circulação de narrativas em redes sociais, aplicativos de mensagens e fontes de notícias, a MP (Medida Provisória) que proibiu as apostas esportivas mantém engajamento superior ao de todos os demais assuntos que a sucederam.

O pico do tema foi de 4 mil menções a cada 100 mil postagens nas redes sociais e de 875 a cada 100 mil em aplicativos de mensagem, ambos no sábado (26), um dia após a assinatura da medida por Lula e em meio às críticas de times de futebol e associações do setor. A incidência começou a cair no domingo (27), mas, até esta quarta, o volume ainda estava três a quatro vezes acima do patamar anterior ao anúncio.

Padroeira em ascensão

O ápice das menções a Nossa Senhora Aparecida ocorreu na terça-feira (29), na esteira do vaivém do caso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com 3 mil menções a cada 100 mil postagens nas redes. Nos aplicativos de mensagem, o pico foi de 203 a cada 100 mil na véspera. A Palver destaca que o assunto segue em trajetória ascendente: a cada nova decisão judicial, as menções voltam a crescer.

Vazamento e fala de Lula ainda têm alcance menor

Os dois casos mais recentes — o vazamento de conversas de Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio, e a frase de Lula sobre exames de toque, tirada de contexto — ainda são incipientes em comparação aos dois primeiros.

O material guardado por Santini, que trata da presença do senador em festas com garotas de programa, de um Rolex de R$ 305 mil e de suposto lobby junto ao ministro Kassio Nunes Marques, foi divulgado na terça (29) pelo portal PlatôBR. O pico foi de 587 menções por 100 mil postagens nas redes e de 156 por 100 mil em aplicativos de mensagem, no mesmo dia da publicação.

Já a frase de Lula foi dita na noite de domingo, em comício em Belém (PA). O presidente comparou a resistência dos homens ao exame de toque para prevenção do câncer de próstata com a rotina das mulheres, que “aprendem a tomar toque desde pequena”. A campanha adversária, encabeçada por Flávio e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), passou a associar a declaração à pedofilia. O trecho viralizou a partir da madrugada de terça, com pico de 57 menções por 100 mil em aplicativos de mensagem e de 336 por 100 mil nas redes nesta quarta. A campanha de Lula acionou o TSE para remover as postagens, e o tribunal deu 24 horas para Nikolas apagar o vídeo que impulsionou a desinformação.

Leitura dos analistas

Luis Fakhouri, cofundador da Palver, avaliou que o tema das bets segue bastante relevante e bem acima dos demais tópicos da semana, seguido do caso da padroeira, explorado principalmente pela esquerda e mantido em pauta pelas decisões do TSE. No caso do vídeo de Belém, a percepção da equipe de inteligência da empresa é de que há atividade organizada da direita política para criticar o presidente nas redes sociais, com aplicativos de mensagem em segundo plano. Segundo Fakhouri, nesse ambiente a tese de pedofilia não se sustenta, porque o espaço favorece o debate e a argumentação é frágil, baseada em um vídeo cortado e editado. Já o engajamento sobre o material vazado de Santini tem sido protagonizado pela esquerda, já que a direita “escolheu não participar deste tema, nem para defender Flávio”.