A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, que atua na defesa do senador Flávio Bolsonaro, afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não chegou a identificar notícias falsas no canal Exército do Lula porque as mensagens teriam sido apagadas antes de passarem pela análise do tribunal. Segundo ela, o apagamento não significou o desaparecimento do conteúdo: o canal seria espelhado em tempo real, o que permitiria resgatar as publicações excluídas.
A tese foi apresentada pela defesa como forma de explicar por que a verificação feita pelo TSE não resultou na identificação de fake news dentro do grupo. Para Bucchianeri, a exclusão prévia das mensagens não descaracteriza a existência do material — apenas o teria retirado do alcance da análise oficial.
Espelhamento em tempo real
No argumento sustentado pela advogada, o Exército do Lula é espelhado em tempo real. Esse espelhamento funcionaria como uma espécie de cópia paralela do canal, capaz de registrar as mensagens no momento em que são publicadas. Assim, mesmo que um conteúdo fosse removido antes de chegar à apreciação do TSE, ele permaneceria identificado pelo espelho.
É justamente esse mecanismo, segundo a defesa, que permitiria apontar as fake news apagadas antes da análise do tribunal. Em outras palavras: o que o TSE não viu não teria deixado de existir, mas teria sido excluído antes de ser examinado.
O papel de Janones
A manifestação da advogada coloca o deputado André Janones no centro da controvérsia. De acordo com a versão apresentada, as mensagens teriam sido apagadas por ele — o que, na leitura da defesa, teria impedido que o tribunal identificasse as publicações falsas no material original.
Para a defesa, portanto, a ausência de fake news apontadas pelo TSE não equivaleria à inexistência de conteúdo indevido no canal, mas ao resultado da remoção das mensagens antes da verificação.
O que está em jogo
A discussão envolve a capacidade do TSE de examinar conteúdo que não permaneceu disponível para análise. Se a tese prevalecer, a conclusão de que não havia fake news identificadas no canal não encerraria a questão, já que o material excluído poderia ser confrontado com o espelho mantido em tempo real.
A situação mantém em aberto o debate sobre a responsabilidade pela remoção de mensagens em canais de comunicação usados no processo eleitoral e sobre os limites da apreciação eleitoral quando o conteúdo deixa de estar disponível. O que está registrado, por ora, é a afirmação da advogada: o canal é espelhado em tempo real, e as fake news apagadas antes da análise do TSE puderam ser identificadas por esse espelhamento.
