O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), candidato ao governo do Tocantins, é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ter recebido ao menos R$ 420 mil em propina para beneficiar uma empresa privada que firmou contratos com o poder público estadual. No dia 4 de outubro, o parlamentar obteve 43,94% dos votos válidos e disputará o segundo turno contra Dorinha Rezende (União Brasil), que somou 45,52%. Ele não chegou a ser indiciado pela PF, mas segue sob investigação.

Esquema com atuação em dois estados

A PF identificou que alvos da Operação Overclean, que apurou o desvio de recursos públicos na Bahia, também tinham atuação no Tocantins. Segundo a apuração, o suposto grupo criminoso operava da mesma forma nos dois estados: pagava propinas e vantagens a servidores públicos e políticos para obter benefícios em processos licitatórios.

No estado, a Larclean Saúde Ambiental Ltda., de propriedade dos irmãos Alex e Fábio Parente, firmou entre 2021 e 2024 contratos e termos aditivos com a Secretaria de Educação que, somados, chegam a R$ 59,2 milhões. Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025, a Polícia Federal aponta indícios de que a empresa teria sido beneficiada ilicitamente, em detrimento de concorrentes, para vencer o pregão.

Repasses mensais de R$ 20 mil

No documento, a PF afirma que Vicentinho Júnior teria recebido pagamentos mensais de R$ 20 mil para, supostamente, usar sua influência em favor da Larclean na obtenção dos contratos. Ao cruzar anotações da empresa com quebras de sigilos bancários dos envolvidos, a corporação concluiu que os valores eram pagos pela BraTeles a uma empresa fantasma em nome da esposa do deputado, a GMD Borba Distribuidora Eireli.

As “mesadas” teriam sido pagas de janeiro de 2023 a 2024, tanto ao deputado quanto à mulher, somando R$ 420 mil, de acordo com a investigação. A GMD Borba está registrada como distribuidora de bebidas alcoólicas, e o endereço declarado abrigaria outras duas empresas.

A apuração também indica que, conforme as quebras de sigilo, a empresa da esposa de Vicentinho Júnior movimentou mais de R$ 170 milhões entre janeiro de 2019 e abril de 2025. O parlamentar é investigado pela suposta prática de corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa, crimes cujas penas máximas, somadas, chegam a 30 anos de prisão.

Pedidos negados no STF

Em setembro do ano passado, a PF pediu ao STF o bloqueio de bens e a realização de buscas e apreensões contra o deputado, sob suspeita de corrupção. O relator do caso, ministro Nunes Marques, avaliou que não havia provas suficientes de envolvimento e negou os pedidos. Vicentinho Júnior segue investigado, mas não foi indiciado nem denunciado pelo Ministério Público.

Repercussão

A reportagem procurou o deputado e assessores de imprensa, mas não obteve retorno; o espaço segue aberto para manifestação. Em agosto deste ano, já na campanha eleitoral, Vicentinho Júnior publicou um vídeo sobre o episódio.

“O STF entendeu que a Polícia Federal não comprovou existir qualquer ligação entre as empresas criminosas e Vicentinho Júnior. Vicentinho é ficha limpa e prova com certidões negativas criminais do Tribunal de Justiça do Tocantins, da Justiça Federal, da Justiça do Trabalho, do TCU, do Superior Tribunal de Justiça e do nada consta do STF”, afirma o candidato na gravação.