Uma das fornecedoras da campanha de 2026 do deputado federal Mario Frias (PL-SP) mantém vínculo com uma ex-diretora da Secretaria Especial da Cultura no período em que o ex-ator comandou o órgão, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
A Estratégia Comunicações Ltda., ligada a Jéssika Helen dos Santos, recebeu R$ 80 mil do parlamentar para prestar serviços à campanha. A mesma empresa ainda obteve R$ 115 mil enviados diretamente da conta-corrente do deputado, além de R$ 775 mil da cota parlamentar do próprio Frias e de outros deputados do PL que disputaram a reeleição.
Investigação da PF
A Polícia Federal investiga o congressista em um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, valores teriam sido movimentados por secretários, parentes, pessoas próximas e advogados em diversas frentes, como doações de campanha e contratos de prestação de serviços.
As transferências à empresa seguem o padrão apontado pela PF, que cita a existência de uma “sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado”, supostamente encabeçada pelo ex-secretário de Bolsonaro.
Em 10 de setembro, a Estratégia Comunicações Ltda. foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, na apuração sobre possível organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro e peculato. Mario Frias articula retornar ao comando da Cultura em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Além da operação, a empresa teve o direito de licitar e contratar com o poder público suspenso por decisão de setembro do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino.
Valores e vínculos
Os R$ 80 mil pagos pela campanha, conforme o ranking de fornecedores do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), custearam serviços de comunicação e marketing entre agosto e outubro. Já os R$ 115 mil transferidos da conta-corrente do deputado, segundo dados da PF, foram enviados entre abril de 2025 e abril de 2026.
Documentos da corporação indicam que a empresa tem CNPJ contíguo ao do Instituto Super Poder Educacional Ltda., com indícios de registro no mesmo dia e na mesma junta comercial. O instituto também aparece na apuração sobre o suposto esquema de desvio atribuído ao deputado.
Jéssika Helen dos Santos foi nomeada em 2021 para o cargo de diretora na Secretaria Especial da Cultura, sob gestão de Mario Frias. Ela foi sócia-administradora da Estratégia Comunicações Ltda., aberta em janeiro de 2023. O deputado ocupou a chefia da pasta de junho de 2020 a março de 2022, e Jéssika permaneceu no cargo em comissão até junho de 2022. Atualmente, ela é secretária parlamentar do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), para o qual foi nomeada em novembro de 2025.
Em setembro de 2025, Jéssika transferiu a empresa para Paulo Henrique Brunetti Cruz, hoje único sócio e advogado da secretária parlamentar.
Durante o atual mandato de Mario Frias, a firma recebeu R$ 360,9 mil da cota parlamentar — valor mensal destinado às despesas do exercício do mandato — sob a rubrica de serviços de divulgação de atividade parlamentar. A empresa também recebeu recursos de outros deputados do PL que tentaram a reeleição.
Doadores e o outro lado
Entre os doadores da campanha, apenas dois assessores do deputado aparecem nos dados da Justiça Eleitoral, além das direções nacional e estadual do PL. São eles Rareska Metsker, assessora que trabalhou em “Dark Horse” enquanto atuava no gabinete, e Diego Garcia Ramos, cujo cunhado já alugou um imóvel ao congressista.
A reportagem procurou todos os citados. Mario Frias não respondeu, mas negou anteriormente qualquer irregularidade no exercício do cargo.
