Apoiadores do presidente Lula (PT) ocuparam, na tarde desta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, quarteirões da orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, em manifestação pela reeleição do petista.

A concentração chegou a se estender por mais de quatro quarteirões da avenida Atlântica, um dia após a multidão que acompanhou o presidente na avenida Paulista, em São Paulo. O ato ocorre no intervalo entre os dois turnos das eleições, marcados para o dia 25, quando Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltam a se enfrentar. O petista ficou atrás do rival no primeiro turno.

Críticas a Flávio e defesa da 6×1

Discursos em tom de otimismo, menções à padroeira do Brasil e a defesa do fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso por semana — marcaram a manifestação. Em falas e cartazes, os apoiadores apresentaram Flávio como possível ameaça à democracia, à Constituição e às políticas públicas.

Os oradores também atacaram a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, e criticaram os acenos do presidenciável ao governo de Donald Trump.

A agenda integra a mobilização incentivada pela esquerda nos últimos dias para ampliar o apoio a Lula. Como o presidente aparece atrás de Flávio nas pesquisas de intenção de voto, a estratégia do PT passa por reduzir a abstenção no segundo turno e pedir à militância que convença outras pessoas a mudarem de voto.

Lula passou a segunda-feira em Brasília e não participou do ato carioca, que reuniu parlamentares de esquerda, estudantes, sindicalistas e famílias. Jovens e idosos compareceram, e o vermelho do PT predominou nas roupas do público. Estiveram presentes os deputados federais do Rio Benedita da Silva (PT), Glauber Braga (PSOL), Jandira Feghali (PC do B) e Lindbergh Farias (PT).

Comparação com os caras-pintadas

Na Lapa, na zona central do Rio, outro ato pró-Lula reuniu artistas ligados ao samba e parlamentares petistas. Lá, Lindbergh comparou as mobilizações ao movimento dos caras-pintadas, que ele liderou como presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) em 1992, na campanha pelo impeachment de Fernando Collor.

“Subo aqui emocionado e esperançoso. Porque o que houve sábado, domingo e segunda-feira não foi qualquer coisa. Nós tomamos as ruas do Brasil para defender a democracia”, disse o deputado. “Sabe há quanto tempo a gente não coloca tanta gente nas ruas? Desde os caras-pintadas”, completou.

Padroeira e público

Nossa Senhora Aparecida foi saudada nos discursos. A padroeira virou foco de polêmica na eleição após a disseminação de notícia falsa de que Flávio defenderia a retirada do título.

Marcado para as 12h, o evento já somava, por volta das 12h40, quatro quarteirões da avenida Atlântica, entre as ruas Sá Ferreira e Xavier da Silveira. Depois, o público cresceu e se espalhou, inclusive pela areia, acompanhando trios elétricos que percorreram a orla. Procurada, a Polícia Militar disse não ter estimativa de comparecimento.

Apoiadores reclamaram da qualidade do som: os discursos só podiam ser ouvidos com clareza perto do trio elétrico que transportou as lideranças. Músicos que animaram parte do público também chegaram a abafar as falas.

Outros atos pelo país

Manifestações, caminhadas, carreatas e panfletagens seguiram em diferentes regiões do Brasil. Em Salvador, um ato pró-Lula reuniu apoiadores na região da Barra, que também recebeu passeata no domingo. “Precisamos virar o jogo, derrotar a extrema direita e garantir mais democracia, direitos, soberania e desenvolvimento para o nosso povo”, declarou a Frente Brasil Popular da Bahia, que convocou o evento.