A professora de direito Janaína Paschoal (PP), detentora do recorde de candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ficou longe de repetir o feito na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2018, quando concorria pelo PSL, recebeu 2.060.786 votos. Neste ano, candidata a deputada federal, somou apenas 46.773 e não foi eleita, permanecendo como suplente — pode assumir o mandato em caso de afastamento, renúncia ou falecimento de um titular.
Ela não foi a única. Outros 14 vereadores da capital paulista também fracassaram na tentativa de chegar à Câmara Federal. Na direita, seguem na Câmara Municipal até o fim dos mandatos Rubinho Nunes (União Brasil), Zoe Martínez (PL) e o ex-BBB Adrilles Jorge. Na esquerda, Nabil Bonduki (PT) também não alcançou votos suficientes.
Quem não se elegeu
Confira a lista dos vereadores que não obtiveram uma vaga na Câmara dos Deputados:
André Santos (Republicanos) – 71.621 votos; Pastora Sandra Alves (União Brasil) – 63.745; Danilo do Posto de Saúde (Podemos) – 51.807; Janaína Paschoal (PP) – 46.773; Nabil Bonduki (PT) – 46.075; Gilberto Nascimento (PL) – 43.977; Rubinho Nunes (União Brasil) – 41.883; Cris Monteiro (Novo) – 40.404; Major Palumbo (PP) – 31.270; Adrilles Jorge (União Brasil) – 26.694; Zoe Martínez (PL) – 25.356; Eliseu Gabriel (PSB) – 17.203.
Os vereadores George Hato (MDB), Sandra Santana (MDB) e Sonaira Fernandes (PL) disputaram uma vaga na Alesp e também não foram eleitos.
Quem conseguiu
O vereador Lucas Pavanato (PL) recebeu 3.038.438 votos e tornou-se o deputado federal mais votado da história de São Paulo, superando a marca de Eduardo Bolsonaro (PL), que obteve 1.843.735 em 2018. Também foram eleitos Sargento Nantes (PP), com 333.401 votos; Ana Carolina Oliveira (Podemos), com 246.741; Luna Zarattini (PT), com 233.733; Sidney Cruz (MDB), com 130.951; e Dra. Sandra Tadeu (PL), com 106.471. Marina Bragante (PSB), Thammy Miranda (PSD) e Keit Lima (PSOL) conquistaram cadeiras na Alesp.
A federação formada por PP e União Brasil — partidos de Janaína e Rubinho, respectivamente — tinha cinco vagas para a Câmara: três do PP e duas do União. Foram eleitos Sargento Nantes, Mauricio Neves e Coronel Telhada, pelo PP, e Sirlange Manga e Milton Leite Filho, pelo União Brasil, candidatos mais votados de cada sigla.
Como funciona o “puxador de votos”
A eleição para a Câmara dos Deputados adota o sistema proporcional, que distribui as vagas entre as legendas por meio de cálculos matemáticos. O eleitor escolhe um candidato, mas seu voto também soma para o desempenho do partido ou da federação.
O primeiro cálculo é o quociente eleitoral: divide-se o total de votos válidos do estado pelo número de cadeiras em disputa. São Paulo registrou 23.674.188 votos válidos e tem direito a 70 assentos na Câmara, o que resulta em um quociente de 338.203. Para ser eleito, o candidato precisa ainda atingir votação nominal mínima de 10% desse valor — 33.820 votos.
Em seguida, calcula-se o quociente partidário, dividindo-se os votos válidos do partido pelo quociente eleitoral, o que define quantas cadeiras cada legenda ou federação conquista diretamente. As vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados que atingiram a cláusula individual.
É esse mecanismo que explica o papel dos “puxadores de voto”. Com mais de 3 milhões de votos, Pavanato garantiu ao menos oito das 19 cadeiras conquistadas pelo PL em São Paulo, ajudando a eleger correligionários com votação menor. As vagas restantes, conhecidas como sobras eleitorais, são distribuídas em etapa posterior do cálculo.
