Um novo livro propõe ao leitor uma travessia incomum pela capital gaúcha: em vez de apresentar os cartões-postais de Porto Alegre, a obra de André Hernandez conduz uma verdadeira caminhada macabra pelos cantos mais sombrios — e, muitas vezes, esquecidos — da história da cidade.
Crimes, execuções e lugares apagados do mapa
A publicação reúne relatos de crimes que marcaram o passado porto-alegrense, além de registros de execuções públicas realizadas em períodos antigos da cidade. Esses episódios, longe de figurarem nos roteiros turísticos convencionais, compõem um lado pouco conhecido da trajetória urbana da capital gaúcha.
O livro também dedica espaço aos cemitérios que desapareceram da paisagem urbana. Esses espaços, apagados ao longo do tempo, revelam como a própria cidade transformou sua relação com a morte e com a memória daqueles que a habitaram.
Casas assombradas e memória urbana
Outro eixo da obra são as casas assombradas que integram o imaginário popular de Porto Alegre. Os relatos de supostas assombrações funcionam, na proposta do autor, como portas de entrada para histórias maiores: conflitos sociais, tragédias pessoais e episódios que a narrativa oficial deixou de lado.
Ao costurar esses elementos — crimes, execuções, cemitérios desaparecidos e lendas de assombrações —, André Hernandez transforma o que poderia ser apenas um compilado de histórias de terror em uma viagem pela história esquecida da cidade.
Porto Alegre sob outro olhar
A proposta do livro convida o leitor a enxergar a capital gaúcha por uma perspectiva diferente da habitual. Ruas e prédios que passam despercebidos no cotidiano ganham novo significado quando vistos à luz dos episódios que abrigaram.
Dessa forma, a obra se dirige tanto aos apreciadores de histórias macabras quanto aos interessados na formação e na memória urbana de Porto Alegre, oferecendo um retrato de uma cidade que carrega, em suas esquinas e edificações, capítulos que raramente aparecem nos relatos oficiais.