O pesquisador Daniel Santini avaliou que a PEC da Tarifa Zero representa um marco para a política de mobilidade urbana no Brasil. Em sua análise, a proposta tem potencial direto de reduzir a desigualdade, ao retirar do usuário o peso do custo diário de deslocamento nas cidades.

Santini também chamou atenção para os resultados de municípios que já adotam a gratuidade no transporte coletivo. Segundo ele, essas experiências comprovam os benefícios do modelo e reforçam um ponto central de sua defesa: a tarifa zero é economicamente viável.

Transporte como política pública

Para o pesquisador, a proposta aponta para uma mudança de paradigma na maneira como o país trata o transporte coletivo. Em vez de um serviço sustentado pela cobrança individual de passagens, o transporte passaria a ser encarado como política pública de interesse coletivo, alinhada ao objetivo de garantir acesso à cidade.

Nessa leitura, o fim da tarifa não se limita ao alívio imediato no bolso dos passageiros. A medida atua sobre a desigualdade porque o gasto com deslocamento compromete parcela maior da renda das famílias mais pobres, que dependem do ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.

Experiências de gratuidade

Ao relatar os benefícios observados em cidades que já contam com a tarifa zero, Santini sustenta que o modelo deixa de ser uma ideia abstrata e passa a contar com referências concretas de funcionamento. Essas experiências, segundo o pesquisador, ajudam a responder às objeções que costumam cercar o tema.

A gratuidade no transporte coletivo, nesses casos, é apresentada como fator de inclusão, já que amplia o acesso ao trabalho, à educação e aos serviços urbanos. É esse conjunto de efeitos que, na avaliação de Santini, reforça a relação entre tarifa zero e redução da desigualdade.

Viabilidade econômica em debate

A questão do financiamento é um dos principais pontos de resistência em torno da proposta, e foi justamente nesse campo que o pesquisador concentrou parte de sua defesa. Para Santini, há viabilidade econômica na tarifa zero, o que contraria o argumento de que o modelo seria inviável para os cofres públicos.

Ao unir os argumentos de justiça social e de sustentabilidade financeira, o pesquisador posiciona a PEC como um passo relevante para a política de mobilidade. Enquanto o tema segue em discussão no Congresso Nacional, o debate sobre o financiamento do transporte coletivo tende a permanecer no centro das decisões sobre o futuro das cidades brasileiras.