O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, vai se encontrar com o deputado federal André Janones (Rede-MG) nesta quarta-feira (14) para tratar do canal ‘Exército do Lula’ no WhatsApp. O encontro foi agendado para as 17h, após pedido da defesa do parlamentar, e teve a confirmação do próprio Janones.
Janones movimenta as redes sociais em defesa da reeleição do presidente Lula (PT). O canal que ele administra supera 4 milhões de seguidores e está fora do ar desde a terça-feira (13), por determinação de Kassio, que atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A alegação, feita sem provas, era de que o grupo propagava fake news.
Decisões em choque no tribunal
O embate judicial rendeu um vaivém de decisões entre magistrados do próprio TSE. No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, optou por não acatar a suspensão enquanto a campanha de Flávio não apresentasse provas complementares. No dia seguinte, porém, Kassio determinou a censura ao canal.
Cueva reagiu ainda no domingo e ordenou o restabelecimento do grupo — decisão revertida mais uma vez por Kassio na terça. O desfecho da controvérsia tende a ser definido pelo plenário do TSE ainda nesta semana.
Depois que Kassio estabeleceu condições para o retorno do ‘Exército do Lula’, como a comunicação dos endereços eletrônicos à Justiça Eleitoral, a campanha petista decidiu registrar o canal no tribunal. A volta ao ar, no entanto, deve ocorrer somente após 48 horas, conforme resolução da corte. Desde a noite de terça, quem tenta acessar o grupo se depara com a mensagem ‘canal fechado neste país: Brasil’.
Acusações sem documentos
Na ação movida por Flávio, a defesa afirmava que circulavam no canal conteúdos falsos sobre Nossa Senhora Aparecida, ligação do candidato com milícias e lavagem de dinheiro na Kopenhagen, além de cortes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O jurídico da campanha, contudo, não anexou nenhum documento — seja ata notarial ou registro digital — que comprovasse o material apontado.
A área técnica informou não ter localizado os conteúdos citados por Flávio no canal. A campanha bolsonarista, por sua vez, sustenta que 219 mensagens foram apagadas do ambiente digital em apenas 18 minutos.
Contra-ataque petista
Nesta quarta, a campanha de Lula pediu ao TSE que também suspenda o canal ‘Tropa do Flávio’, criado pelo grupo adversário como resposta ao ‘Exército do Lula’. O canal bolsonarista associou falsamente a imagem de uma jovem aparentando usar cocaína à manifestação em apoio a Lula na avenida Paulista.
